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Novo recorde: investimento nos centros comerciais em Portugal passa os mil milhões

O centro comercial Almada Forum foi uma das principais transações comerciais realizadas este ano am Portugal.

Nuno Botelho

Grupos internacionais estão a investir largas centenas de milhões de euros na compra de centros comerciais já em operação e os negócios feitos nos primeiros sete meses deste ano já superam todos os registos anuais da última década e meia

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A compra do centro comercial Almada Fórum, esta sexta-feira, por 407 milhões de euros, pelos espanhóis da Merlin, é não só um dos maiores negócios de sempre no mercado imobiliário português como vem comprovar a tendência de crescente interesse de investidores internacionais por vários tipos de ativos de retalho.

O negócio de compra do Almada Fórum ao fundo Blackstone vem elevar para 1037 milhões de euros o valor de investimento na aquisição de centros comerciais em Portugal desde o início do ano, depois de no primeiro trimestre a mesma Blackstone já ter vendido por 400 milhões o Fórum Sintra, Fórum Montijo e Sintra Retail Park e de a Baupost e o Eurofund terem alienado por 230 milhões de euros o Dolce Vita Tejo, um dos maiores centros comerciais do país.

Segundo o relatório Marketbeat Retalho, que a consultora Cushman & Wakefield publicou em maio, ao longo dos últimos 15 anos o maior registo de investimento em centros comerciais foi em 2015, com pouco mais de 700 milhões de euros de transações (se a esse valor se somar outros ativos, como lojas de ruas e outros formatos comerciais o investimento total passou os mil milhões).

Em 2016, o investimento em centros comerciais em Portugal afundou, para pouco mais de 200 milhões de euros, mas recuperou em 2017, ano em que se aproximou dos 400 milhões de euros, segundo a Cushman & Wakefield.

Cumulativamente, desde 2003 até ao primeiro trimestre de 2018 o investimento em centros comerciais em Portugal ascendeu a 4,3 mil milhões de euros, sendo a maior parte destas transações realizadas através de fundos de investimento imobiliário, quer os registados em Portugal, quer os registados no exterior, sobretudo Alemanha, Inglaterra e Holanda.

De acordo com a Cushman & Wakefield, “a colocação dos ativos no mercado através da constituição de portfólios, ou de parcelas de ativos, é uma das características cada vez mais frequentes nesta indústria, tendência que se manterá ao longo dos próximos anos”.

Num contexto de baixas taxas de juro, os investidores vão procurando aplicar o seu capital em soluções de baixo risco e o retorno relativamente estável das rendas dos lojistas nos centros comerciais, passada que está a crise em Portugal, está a atrair um conjunto diversificado de empresas com dinheiro para investir.

Quem está a comprar?

A lista dos 10 maiores negócios no retalho que aquela consultora imobiliária tinha publicado em maio, e que ainda não contemplava a venda do Almada Fórum, mostra que o perfil de quem está a investir nos centros comerciais portugueses é relativamente diversificado.

A Merlin Properties, por exemplo, é um grupo imobiliário espanhol que investe em centros comerciais, edifícios de escritórios, equipamentos logísticos e hotéis. Já tinha alguns investimentos em Portugal, mas não em centros comerciais.

Segundo a Merlin, o Almada Fórum, que tem 82 mil metros quadrados de área bruta locável, gera anualmente rendas de 24 milhões de euros e irá elevar para 125 milhões de euros a receita anual da Merlin com rendas de centros comerciais.

Mas há outros investidores de referência no fervilhante negócio dos centros comerciais. A Immochan, que no primeiro trimestre comprou à Blackstone o Fórum Montijo, Fórum Sintra e Sintra Retail Park por 400 milhões de euros, é um grupo imobiliário francês associado aos hipermercados Auchan.

Outro investimento de elevado porte este ano foi a venda pela Baupost e Eurofund do Dolce Vita Tejo. O comprador foi a gestora de ativos imobiliários da seguradora francesa Axa, que pagou 230 milhões de euros.

Já em 2017 as empresas Resilient e Greenbay pagaram 220 milhões de euros pelos Fórum Viseu e Fórum Coimbra, e a Square Asset Management (gestora de ativos portuguesa) comprou um conjunto de lojas da Staples, por perto de 50 milhões de euros, e ainda dois centros comerciais da Sonae Sierra no Algarve, por 40 milhões.

A empresa espanhola Olimpo Real Estate, cujos gestores têm ligações ao Bankinter e à Sonae Sierra, também esteve nas maiores transações de ativos comerciais realizadas em Portugal entre 2017 e 2018.