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Em ano de seca e altas temperaturas, o olival e a fruta bateram recordes

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Em 2017, o valor acrescentado da agricultura cresceu 6,5% face ao ano anterior, motivado por um acréscimo de produtos agrícolas e da estabilização dos preços. Produção de maçã, kiwi, amêndoa e azeite atingem máximos históricos, mas balança comercial de produtos agrícolas agrava-se

Apesar da seca que uma grande parte do país atravessou, o ano agrícola de 2016/2017 trouxe algumas boas notícias aos produtores portugueses e à economia nacional. Os pomares de fruta, nomeadamente os de maçã, cereja, kiwi, laranja e amêndoa, apresentaram "excelentes produções", de acordo com as Estatísticas Agrícolas 2017 publicadas esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatístisca (INE). O documento destaca ainda "a produção de azeite que ultrapassou 1,47 milhões de hectolitros, correspondendo à campanha mais produtira desde que se dispõe de registos sistemáticos".

No total, a produção agrícola cresceu 3,8% em volume.

Este desempenho da agricultura portuguesa explica, em parte, o crescimento do valor acrescentado bruto (VAB) desta actividade que, no ano passado, cresceu 6,5% em termos nominais. Em 2016, tinha sido registada um redução de 1,5%. Segundo o INE, "esta variação reflete fundamentalmente o acréscimo de 4,4% na produção do ramo agrícola, em resultado de um acréscimo de volume e da estabilização de preços base (+0,6%)".

O ano agrícola de 2016/ 2017 caracterizou-se por um inverno de pouca chuva, com tempo quente e seco, o que acabou por permitir a realização dos trabalhos agrícolas da época, explica o relatório do INE. Contudo, o ano passado trouxe a terceira primeira mais quente desde 1931, o que "condicionou o desenvolvimento das culturas de sequeiro e contribuiu para a diminuição do nível de armazenamento de água na maioria das bacias hidrográficas, o que obrigou ao ajustamento das áreas planeadas para as culturas de primavera/verão".

Já o verão foi o sexto mais quente e o terceiro mais seco desde 2000, classificado meteorologicamente como "quente e extremamente seco". Durante este período, "foi frequente a secagem completa de charcas e a acentuada diminuição do nível dos lençóis freáticos dos furos e poços, com implicações na capacidade de satisfazer as necessidades hídricas das culturas e na disponibilidade de água para abeberamento dos efetivos".

Apesar disso, o ano acabou por ser "excecional" para as fruteiras e azeite. Os pomares de macieiras registaram um máximo histórico de produção, que cresceu 36,3% face à campanha de 2016, para cerca de 330 mil toneladas, "apresentando os frutos bons calibres". As produções de cereja e laranja fomra também as "melhores das últimas décadas", beneficiando "das boas florações" e de "desenvolvimentos vegetativos adequados".Também o Kiwi, que atingiu uma produção de 35,4 mil toneladas (mais 68% que em 2016), "alcançou a campanha mais produtiva de sempre, devido à entrada plena de plantações recentes". Nos frutos secos, o grande destaque vai para os amendoais, cuja produção subiu 131,1% num ano, para 20 mil toneladas, "a maior deste século". O investimento em amendoais intensivos e superintensivos em Alqueva, à semelhança do que acontece com os olivais, terá sido determinante para esta campanha.

Aliás, outro máximo histórico alcançado foi, precisamente, no azeite. A produção saltou para 1,47 milhões de hectolitros (mais 94,1%). A "carga inicial de azeitona muito elevada" nas árvores, assim como a "gestão criteriosa das regas dos modernos olivais intensivos" permitiram este desempenho. E em ano de pouca chuva, os olivais de sequeiro confirmaram "as características de adaptação das variedades tradcionais (nomeadamente a Galega) aos períodos de seca relativamente frequentes nos climas mediterrânicos). Este cenário levou à melhoria da qualidade do azeite produzido, "quase totalmente classificado como virgem extra". O Alentejo, nomeadamente a área regada por Alqueva, produziu quase três quartos da produção nacional de azeite.

Importações de carne aumentam

No que diz respeito ao ramo dos produtos de origem animal, também se verificou o aumento da produção de carne de aves e de ovos. A produção total de carne situou-se nas 889 mil toneladas, menos 0,4% que em 2016. Embora tenha existido uma redução de carne de reses (bovinos, suínos, ovinos, caprinos e equídeos), observou-se o aumento de 5,3% da carne de animais de capoeira (como galinhas, perus e patos), o que acabou por equilibrar a produção.

No ano passado, os produtores nacionais conseguiram assegurar 76,7% das necessidades nacionais de consumo de carne. Em 2016, tinham assegurado 77,6%. Esta diminuição do grau de autoprovisionamento do país "ficou a dever-se ao decréscimo de produção de carne e ao aumento das importações em 4,2%, face ao ano anterior".

A produção bruta de ovos de galinha foi 141 mil toneladas, mais 1,4% do que ano anterior.

Previsões agrícolas para 2018

Na campanha agrícola deste ano, prevê-se "um aumento generalizado" da produtividade dos cereais. E mesmo nas culturas de primavera/verão, afetadas pelas chuvas deste ano, que levaram "à saturação dos solos" e a atrasos nos trabalhos de instalação, não se preveem grandes danos: o milho deverá manter uma superfície semelhante à campanha do ano passado, da mesma forma que as produções de arroz, tomate para indústria e girassol se devem manter face a 2017. Para a batata, está prevista uma redução de 5%.

Além disso, o bom desempenho dos pomares de fruta serão para continuar, como o pêssego. Todavia, no que diz respeito à cereja, fortemente afetada pelo mau tempo desta primavera e início de verão, já é conhecida "uma redução de 10%, com frutos de baixo calibre e reduzido teor de açúcar".

Balança alimentar agrava-se e atinge 3557 milhões

Apesar do bom desempenho da agricultura, e de acordo com os dados esta sexta-feira divulgados pelo INE, o saldo da balança comercial, relativa aos produtos agrícolas e agroalimentares (com exceção de bebidas), registou um défice de 3.557 milhões de euros, ou seja, agravou-se em 227,9 milhões de euros face ao ano anterior.

Já no que diz respeito à balança comercial referente à categoria "Bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres", onde está contemplado o sector dos vinhos (que exporta anualmente cerca de 1000 milhões de euros), observa-se um excedente de 624 milhões de euros, mais 32,6 milhões do que em 2016.

O mesmo acontece a balança comercial dos produtores do sector florestal (onde atuam algumas das maiores exportadoras nacionais, como a The Navigator Company), que atingiu um saldo positivo de 2.493 milhões de euros, mais 12,7 milhões do que no ano passado