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Huawei reclama 28% do mercado de 'smartphones' em Portugal

Getty

A marca de smartphones chinesa, que diz ter suplantado a Samsung em território português nos primeiros meses de 2018, está a estudar o lançamento dos seus computadores pessoais em Portugal até ao final do ano

Até ao final do ano, vão ser vendidos 3 milhões de smartphones em Portugal. A estimativa é da Huawei, marca que, nesta primeira metade de 2018, reclama para si a liderança do mercado nacional. De acordo com Tiago Flores, diretor de vendas para a área de consumo, a tecnológica de origem chinesa atingiu na primeira metade do ano "pela primeira vez a liderança no mercado". Em maio, fixou a sua quota de mercado nos 28%. Um ano antes, detinha uma fatia de 23% no mercado dos smartphones. "Isto significa um crescimento de 32% no número de unidades vendidas", apontou, num encontro com jornalistas esta quinta-feira, para a apresentação de alguns resultados da Huawei no mercado português e a nível global.

Ao mesmo tempo, a Huawei observou um crescimento de 52% em valor, o que traduz, por um lado, a aposta em produtores de maior valor acrescentado, com mais tecnologia e sofisticação, e, por outro, a apetência dos consumidores portugueses por smartphones mais caros. Atualmente, segundo Tiago Flores, os smartphones com um custo acima de 900 euros já representam 18% das vendas de equipamentos em Portugal. Já os que custam entre 600 e 900 euros perfazem praticamente 30% das vendas. Sinal de que o mercado dos smartphones em Portugal já está a ficar "maduro", com os consumidores a procurarem "mais tecnologia e sofisticação".

Mas, apesar da sua maturidade, o mercado "continua a crescer entre 8% e 10% ao ano", garante o responsável. "Estamos a crescer mais e estamos a crescer mais rapidamente do que as outras marcas", afiançou Tiago Flores.

Estes números vão de encontro a um estudo apresentado pela consultora IDC, citado pelo Dinheiro Vivo em junho, e que dá conta a Huawei liderou as vendas de smartphones no primeiro trimestre do ano - antes mesmo de ter lançado em Portugal o seu mais recente modelo, o P20, que se destaca pelas suas três câmaras fotográficas. De acordo com a IDC, a tecnológica chinesa destronou a sul-coreana Samsung no pódio das marcas mais vendidas, que viu as vendas caírem 18%. A Huawei vendeu 152 mil unidades (mais 27% do que no trimestre anterior) contra 147 mil da Samsung. O iPhone da Apple, com 84 mil unidades vendidas (um crescimento de 19%), é a terceira insígnia mais adquirida pelos portugueses. No total, estas três marcas perfazem 64% do mercado de smartphones em território luso.

Até ao final deste ano, deverão começar a ser comercializados os primeiros computadores pessoais da Huawei, como já acontece noutros países europeus, que se vem juntar ao portefólio já existente (smartphones, tablets e relógios 'smart'). "Estamos a estudar isso", revelou Tiago Flores.

Mais de 100 milhões de equipamentos vendidos em 2018 em todo o mundo

A chegada à liderança da Huawei no mercado nacional coincide com o lançamento do modelo P20, em abril passado, já com inteligência artificial (IA) integrada nas suas três câmaras fotográficas. Este sistema permite, por exemplo, o reconhecimento do ambiente que está a ser fotografado e adequa as definições ao contexto e às condições, como luz, entre outras. "98% dos consumidores querem tirar boas fotos e não querem perder tempo com sistemas complicados", explicou Tiago Flores. Numa altura em que a qualidade fotográfica é o critério que comanda a compra de smartphones, a tecnologia associada à imagem, assim o 5Gm são as apostas em termos de investimento do gigante chinês. Ao mesmo tempo, a ligação entre a cloud e a internet das coisas (nomeadamente em áreas como a mobilidade automóvel e as 'smart houses'), assim como a implementação de mais tecnologia relacionada com IA, realidade aumentada e realidade virtual.

A Huawei, uma das maiores empresas chinesas, faturou 86 mil milhões de dólares (73 mil milhões de euros) no ano passado, sendo uma das marcas mais valiosas a nível global, segundo a Forbes (na 79ª posição, num ranking liderado pela Apple). Em 2017, vendeu 153 milhões de smartphones. Uma marca que, até ao final deste ano, deverá ser ultrapassada, a contar pelas previsões enunciadas por Tiago Flores. Segundo o responsável, a Huawei atingiu a marca dos 100 milhões de equipamentos vendidos, este ano, esta última quarta-feira (18 de julho) - quando, em 2017, esse acontecimento foi registado em setembro; em 2016, semelhante marca foi batida em outubro; e, em 2015, apenas em dezembro.

O grupo, que está presente em 176 países, conta com 180 mil trabalhadores em todo o mundo. E cerca de 45% desta força de trabalho dedica-se a atividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D). Neste trabalho de inovação e desenvolvimento de produto, a tecnológica investiu, no ano passado, 4,5 mil milhões de dólares (3,9 mil milhões de euros). Além de 15 centros de I&D espalhados pelo mundo, a Huawei conta ainda com 36 centros de desenvolvimento.

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