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Contas polémicas do Montepio vão a votos

Os associados da mutualista Montepio são esta terça-feira chamados a votar as polémicas contas de 2017, em que o banco obteve lucros à custa de créditos fiscais. Estão em causa das contas consolidadas

Os associados da Associação Mutualista Montepio Geral reúnem-se esta terça-feira, em assembleia-geral, para votar as contas referentes a 2017, ano em que os lucros beneficiaram fortemente de créditos fiscais.

Segundo a convocatória divulgada no 'site' da Associação Mutualista Montepio Geral na Internet, a reunião vai realizar-se na Ordem dos Contabilistas Certificados, em Lisboa, e deverá arrancar pelas 21:00 (hora de Lisboa).

A Associação Mutualista Montepio Geral teve lucros consolidados de 831 milhões de euros em 2017, o que compara com prejuízos de 151 milhões de euros em 2016, segundo o relatório e contas consolidadas do ano passado.

Este valor, refere o documento, é o resultado dos “contributos favoráveis dos resultados líquidos do Associação Mutualista Montepio Geral, em base individual, de 587,5 milhões de euros e dos resultados líquidos da Caixa Económica Montepio Geral, em base consolidada, de 6,4 milhões de euros”.

Para os resultados líquidos da Mutualista há, contudo, que ter em conta que esta beneficiou em 2017 de créditos fiscais, por reconhecimento de ativos de impostos diferidos, o que permitiu alavancar os lucros.

O ano passado, a Associação Mutualista Montepio Geral passou a ficar sujeita à aplicação de IRC (o imposto aplicado sobre os lucros das empresas), isto após um pedido de informação da própria ao fisco. O facto de pagar impostos também lhe permitiu beneficiar do impacto de ativos por impostos diferidos, no valor de mais de 800 milhões de euros.

Em anos anteriores, o regime dos ativos por impostos diferidos permitiu a vários bancos que operam em Portugal melhorarem as suas contas pelo reconhecimento de prejuízos acumulados em créditos fiscais.

Os créditos fiscais do Montepio, conhecidos em março, provocaram polémica, com críticas e pedidos de esclarecimento por parte dos partidos PSD, CDS-PP, PCP e Bloco de Esquerda.

A Associação Mutualista Montepio Geral, liderada por Tomás Correia, é o topo do Grupo Montepio, tendo mais de 600 mil associados.

A sua principal empresa é a Caixa Económica Montepio Geral, que desenvolve o negócio bancário, da qual é presidente Carlos Tavares (ex-ministro da Economia do Governo PSD de Durão Barroso e ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários).

No final deste ano há eleições para a Mutualista, havendo já movimentações de várias personalidades.

Já é público que Fernando Ribeiro Mendes, ex-secretário de Estado da Segurança Social do Governo Ps de António Guterres e atual administrador da Mutualista do Montepio, que nos últimos tempos se tem afastado da liderança de Tomás Correia, se vai candidatar à presidência.

No final de junho, em conferência de imprensa, Tomás Correia disse que ainda não decidiu se irá recandidatar-se e que só decidirá após conversas com associados.

Já questionado sobre como vê os contactos entre os seus opositores de outras eleições para formarem uma lista única às eleições, Tomás Correia foi irónico: “Adoro essas reuniões, adoro essas uniões de facto, tipo albergue espanhol, porque geralmente resultam muito bem, como sabem”.