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A Bragança que aponta à liderança regional. E quer ser exemplo para o país

Anselmo Crespo (sub-diretor da TSF) foi o moderador do principal debate da tarde que contou com a participação de Jorge Moreira, Sérgio Gonçalves, Alexandrina Fernandes, Isabel Ferreira e Francisco Cary

Paulo Duarte

Os grandes desafios da economia de Trás-os-Montes estiveram em discussão no XVIII Encontro Fora da Caixa, que juntou algumas das principais figuras da região em Bragança, com o apoio do Expresso

Vivemos "um momento de reflexão para o Interior", como o definiu António Jorge Nunes. O vogal executivo do Programa Operacional Norte 2020 enunciou os desafios económicos e sociais de Trás-os-Montes no contexto nacional para traçar um retrato regional que ajude a encontrar um caminho para o futuro. "Temos que nos empenhar muito", apontou.

Entre o despovoamento e as âncoras positivas do ensino profissional e exportações, as assimetrias da região estiveram em cima da mesa do XVIII Encontro Fora da Caixa. O conjunto de conferências da Caixa Geral de Depósitos que tem percorrido o país (com o apoio do Expresso) visitou desta feita Bragança e ofereceu uma plataforma aos seus empresários para refletirem sobre a dicotomia entre sectores tradicionais e terciários.

Segundo o administrador executivo da Caixa Geral de Depósitos, José João Guilherme, “esta terra transformou-se” e, mesmo reconhecendo os obstáculos que ainda se colocam para o futuro, as intervenções ao longo da tarde sustentaram esta opinião. Até porque se trata de um “território onde há muitas oportunidades”, nas palavras de Alexandrina Fernandes, CEO do A. Montesinho Grupo. E onde é importante “olhar à volta” para perceber “o que pode ter mais impacto na região”, disse a diretora do Centro de Investigação Montanha do I. P. de Bragança, Isabel Ferreira.

Apesar de todos terem concordado na dificuldade em garantir mais recursos humanos, José Amaral, CEO da Catraport, destacou “a grande formação” das pessoas da região, com muitos dos quadros da sua fábrica de Bragança a virem do Politécnico da cidade. Vertente industrial onde a região se procura desenvolver também com ajuda da banca, onde “hoje estamos numa situação de equilíbrio muito mais sustentável”, garantiu o administrador executivo da CGD, Francisco Cary. Por isso, os empresários têm que se “adaptar às regras impostas”, disse Jorge Moreira, administrador da Sortegel, Produtos Congelados.

A adaptação também se tem verificado nas exportações, que aproveitam a melhoria das acessibilidades com o Túnel do Marão em destaque. Trás-os-Montes representa 4% das exportações do Norte, valor já com dimensão para influenciar a região, mas ainda pequeno a nível nacional. O que se explica porque, de acordo com o economista José Manuel Félix Ribeiro, Portugal ainda “é muito desigual relativamente aos sítios a partir dos quais coloca coisas no mundo.”