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FMI revê em baixa crescimento da zona euro para 2018 e 2019

FABRICE COFFRINI/GETTY

A área da moeda única europeia vai desacelerar para 2,2% este ano e vai crescer abaixo de 2% no ano seguinte, segundo a atualização de previsões publicada esta segunda-feira pela organização dirigida por Christine Lagarde. França, o segundo maior destino de exportação português, regista a maior revisão em baixa nos dois anos. Crescimento mundial de 3,9% não levou um corte, mas guerras comerciais podem fazer descer o crescimento para 3,3% em 2020

Jorge Nascimento Rodrigues

A Zona Euro é uma das principais vítimas da revisão em baixa das novas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2018 e 2019, publicadas esta segunda-feira em Washington. As outras grandes economias com cortes nas previsões nos dois anos são o Brasil, Índia, México, Japão e Reino Unido, por ordem decrescente das revisões em baixa, e, dentro do euro, França, Itália e Alemanha.

O crescimento na área da moeda única europeia vai abrandar mais do que o previsto na análise feita em abril quando o FMI divulgou o World Economic Outlook (WEO) com as suas projeções de primavera. O que são más notícias para Portugal que tem seis economias do euro entre os dez principais destinos de exportação de bens.

Os técnicos do Fundo apontam, agora, para um crescimento na Zona Euro de 2,2% este ano, menos duas décimas, e 1,9% no próximo ano, menos uma décima do que na previsão de abril. Em relação a 2018, é uma previsão mais otimista do que a da Comissão Europeia que, na semana passada, cortou o crescimento este ano em duas décimas, de 2,3% para 2,1%, mas manteve a previsão para 2019 em 2%, acima da projeção do FMI.

França regista maior revisão em baixa

Tendo em conta os principais destinos de exportação portugueses, as novas previsões do FMI ‘castigam’ a França, o segundo cliente de bens e primeiro em serviços de Portugal, com um corte de seis décimas nos dois anos, o mais elevado nesta atualização. Entre os destinos da exportação portuguesa escapam sem cortes nas previsões, Espanha, o principal cliente de bens e terceiro em serviços, que deverá crescer 2,8% este ano e 2,2% no ano seguinte, os EUA, quinto cliente português, com projeções de 2,9% e 2,7% para os dois anos, e a China, que continuará a crescer acima de 6%.

A zona euro sofre de uma confluência de riscos, desde os derivados da escalada protecionista, à subida da incerteza política em alguns países do euro, aos próprios desafios que enfrenta a União Europeia e a arquitetura do euro, até aos termos finais do Brexit, referiu Maurice Obstfeld, o economista-chefe do FMI na apresentação esta segunda-feira da atualização do WEO.

A atualização publicada pelo FMI confirma a Itália como a grande economia do euro com o crescimento mais baixo, com previsões de 1,2% este ano e de 1% no próximo ano. São previsões mais pessimistas do que as da Comissão Europeia na semana passada. As previsões não contemplam Portugal, centrando-se, apenas, nas quatro maiores economias do euro.

Apesar das previsões mais baixas para oito grandes economias, o FMI manteve a taxa de crescimento em 3,9% para 2018 e 2019. Mas confirma que as economias desenvolvidas vão abrandar o crescimento em 2019, com a taxa a desacelerar de 2,4% no ano em curso para 2,2% no ano seguinte.

O problema mais grave, a nível mundial, poderá vir depois, com o impacto negativo do protecionismo se este se materializar globalmente e se a confiança dos investidores se ressentir. Uma escalada nas tensões comerciais "é a maior ameaça no curto-prazo ao crescimento global", referiu Obstfeld.

Escalada na guerra comercial pode implicar novos cortes nas previsões

No caso de se materializar a escalada e da confiança dos investidores cair, o modelo do FMI aponta para uma redução potencial do crescimento em 2020 de uma previsão de 3,8%, publicada em abril no WEO, para 3,3%, um corte de meio ponto percentual na dinâmica da expansão mundial daqui a dois anos.

Caso a escalada na guerra comercial entre os EUA e a China abranja um volume de trocas comerciais significativo, o que, ainda, não é o caso frisa o documento do FMI, a organização de Washington reavaliará as previsões de crescimento para a assembleia anual em outubro, confirmou o economista-chefe.

As previsões para o crescimento do comércio internacional ressentiram-se já nesta atualização do WEO. A previsão do crescimento em volume foi cortada em três décimas para 2018 e em duas décimas para o ano seguinte, com particular incidência nas trocas entre as economias desenvolvidas. O crescimento anual do comércio internacional vai, por isso, abrandar de 5,1% em 2017 para 4,8% em 2018 e 4,5% em 2019.