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BPI vende quarteirão na Baixa por €66 milhões

O quarteirão do BPI, ou o Augusta Lisbon, como foi denominado pelos imobiliários, dá para habitação, hotel ou comércio ou tudo junto

FOTO D.R.

O negócio ficou fechado em pouco mais de seis meses e foi muito disputado, com mais de 20 interessados de várias nacionalidades

O BPI vendeu o seu principal e mais antigo imóvel em Lisboa. Segundo apurou o Expresso, o edifício — que é um quarteirão inteiro na Baixa — foi adquirido por mais de €66 milhões por um fundo alemão.

“Este desinvestimento permite realizar uma importante mais-valia que reforçará os capitais do Fundo de Pensões, abrindo-lhe novas opções de investimentos imobiliários alternativos, com potencial de valorização e rendimento”, nota Manuel Puerta da Costa, administrador da BPI Gestão de Ativos e gestor do Fundo de Pensões do banco, que detém o imóvel.

Como referido, o comprador foi um fundo internacional que está a ser gerido pela Norfin, uma gestora portuguesa de fundos de investimento imobiliário, detida por João Brion Sanches e Alexandre Relvas, adianta a JLL, a consultora responsável pela operação em nome do fundo de pensões do BPI.

“Este imóvel é aquilo a que, no sector, chamamos de edifício-troféu. É uma peça única e portanto foi muito bem vendido, mas também foi muito bem comprado porque tem um grande potencial de valorização”, diz ao Expresso o diretor da JLL, Pedro Lancastre.

Imóvel que dá para tudo

Tal como o Expresso explicou em janeiro quando noticiou que o edifício estava à venda, este imóvel é composto por cinco edifícios do século XVIII, de arquitetura pombalina, que o BPI foi comprando ao longo dos anos e ligando entre si até perfazer 11.100 metros quadrados de área. Ou seja, ocupa um quarteirão inteiro com frentes para a Rua Augusta, Rua do Ouro, Rua do Comércio e Rua de São Julião, mesmo em frente ao Museu do Design e a metros do Arco da Rua Augusta e do Terreiro do Paço.

Tudo isto faz dele um imóvel com um “forte potencial para acolher um dos maiores empreendimentos imobiliários do centro histórico de Lisboa”, diz a JLL. De facto, acrescenta Pedro Lancastre, o edifício “está numa área de muito movimento, o que tem muito valor se se fizer comércio. Mas é também uma zona de muito crescimento turístico, e portanto dá para um hotel, e uma zona que tem tido agora muita procura para habitação e, por isso, tendo em conta o tipo de imóvel, dá para fazer casas para um determinado tipo de comprador”, adianta Pedro Lancastre.

Ou seja, tem uma “grande versatilidade em termos de desenvolvimento imobiliário”, permitindo fazer habitação, retalho e hotelaria ou mesmo conjugar os três usos, diz a JLL. Aliás, a consultora está, precisamente, “a ajudar o comprador a definir o tipo de projeto em que se vai transformar o edifício”. Mas, seja qual for o projeto, ele “terá sempre um forte impacto na cidade de Lisboa, já que vai avançar com a reabilitação de um quarteirão inteiro na Baixa, requalificando toda aquela zona e criando mais um ponto de atração de pessoas e de criação de riqueza”, acrescenta.

Venda muito concorrida

Não nos cansamos de escrever que Portugal e Lisboa estão na moda para os investidores, sejam eles particulares ou profissionais. E esta operação é mais uma prova disso. Foram mais de 20 as empresas e os investidores, de várias nacionalidades, que apresentaram propostas não vinculativas ao BPI e à JLL, mostrando interesse em ficar com o imóvel.

E fizeram-no, sabendo que, ao valor de compra — neste caso, mais de €60 milhões — ainda terão de juntar o investimento na reabilitação que “custará sempre mais de €1000 por metro quadrado, ou seja, para cima de €10 milhões [porque tem 11.100 m2]”, diz Pedro Lancastre. E fizeram-no também sabendo que têm de esperar que o BPI abandone as instalações que ainda ali ocupa, o que acontecerá “até ao final de 2018”, garante Manuel Puerta da Costa.

Segundo explicou fonte do banco ao Expresso, em janeiro, não será preciso construir nenhum espaço novo para estas “centenas de pessoas”, porque elas serão colocadas em edifícios que já tem espalhados por Lisboa. “Temos uma torre perto do Saldanha, na Casal Ribeiro, que era a antiga sede do Banco de Fomento Nacional, temos o edifício Jean Monet, onde está a Comissão Europeia, e que é nosso, temos espaços na Torres de Lisboa e um edifício na Braancamp, em frente à Loja das Meias”, adianta a mesma fonte.

Ora, mesmo com todas estas particularidades, a operação “superou todas as expectativas”. “Esta foi uma oportunidade que dificilmente se repetirá no mercado e isso refletiu-se durante todo o processo de venda que foi fortemente disputado, com um elevado número de propostas e pedidos de informação por parte de players de vários pontos do globo, sugerindo para ali vários programas de reabilitação contemplando usos de retalho, residencial e hotel”, diz o novo diretor do departamento de desenvolvimento urbano da JLL, Gonçalo Santos.

Além disso, acresce que a operação ficou praticamente fechada em seis meses. A consultora foi mandatada no final de 2017, colocou o imóvel no mercado em meados de janeiro e o contrato promessa foi assinado a semana passada. Falta agora a escritura, que deverá ser assinada ainda este mês ou, no limite, em agosto.