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Filmes, futebol e Facebook para ‘vender’ Portugal

Promoção do turismo custa €50 milhões. Alemanha e Reino Unido são os principais alvos

O bolo de verbas é o mesmo dos últimos anos: €50 milhões. Mas promover Portugal no exterior envolve a sua aplicação cirúrgica em diferentes países, e numa diversidade de ações em que também se divulgam festivais de música, vinhos, moda ou surf.

Um quinto do orçamento de promoção do país, o equivalente a €10 milhões, vai para campanhas digitais, €12 milhões para as regiões (dentro do modelo de contratualização público-privada), sendo a fatia de leão de €28 milhões canalizada para um vasto conjunto de ações offline, desde a participação em feiras internacionais (este ano serão 26), captação de rotas aéreas, convites a jornalistas e operadores turísticos ou a rodagem de filmes (ver gráfico).

Numa alteração de fundo face ao anterior executivo, o Turismo de Portugal não faz só publicidade online, e um exemplo recente é o anúncio gigante da onda da Nazaré na Times Square em Nova Iorque. Como resume Ana Mendes Godinho, a ciência é “saber jogar numa combinação inteligente entre online e offline, com ações eficazes que resultem em mais vendas”.

10 filmes a rodar em Portugal

Tornar Portugal um destino de filmagens passou a ser uma aposta enquadrada nestas verbas — e tem passado por ações diretas junto dos realizadores de Hollywood ou dos indianos de Bollywood.

Adiantando haver em pipeline 10 filmes para serem rodados em Portugal, a par de “um interesse crescente dos produtores em vir aqui fazer filmes”, Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, refere que “estamos pela primeira vez a participar em feiras internacionais em conjunto com o Instituto de Cinema e do Audiovisual (ICA), e já estivemos este ano no festival de Cannes numa ação a promover Portugal”.

O grosso dos investimentos tem como alvo o Reino Unido e a Alemanha, “mercados onde não baixamos a guarda”, e o resto vai para “um conjunto muito diversificado de mercados onde vemos potencial para crescer em valor”, e que em 2018 são Estados Unidos ou China, além de Escandinávia, Itália ou Polónia.

Convidar jornalistas de todo o mundo e operadores turísticos a conhecer o país é outra prioridade. “O ‘El Mundo’ fez tema de capa com as aldeias históricas, o canal France 2 esteve uma semana a passar reportagens sobre Portugal em prime time”, enumera a responsável. Adianta que no primeiro trimestre os artigos sobre Portugal nos meios internacionais subiram 57% para 8835 (em 2017 foram mais de 33 mil), o que também tem ajudado a conquistar prémios, que em 2017 totalizaram 2115.

Nas viagens de incentivo, destacou-se este ano o grupo de 27 operadores turísticos que foi à zona da Guarda, ou o dos jornalistas belgas e alemães que percorreram a EN2 de Chaves a Faro. “Estamos num momento em que temos de mostrar cada vez mais a diversidade do país e promover o interior”.

No orçamento da promoção, tem de haver espaço para campanhas de última hora, como a de €1 milhão agora lançada para evitar a ‘fuga’ de turistas com o ‘Brexit’ ou a concorrência de destinos como a Turquia, e envolve “um plano agressivo e ações concretas junto dos operadores e companhias aéreas”.

Como se quantifica o retorno do dinheiro investido em promoção? Para Ana Mendes Godinho, o teste do algodão está no crescimento de 17,4% das receitas turísticas no primeiro trimestre apuradas pelo Banco de Portugal, “o que mostra que quando as verbas são bem aplicadas há resultados”.

Verbas para atrair cinema, novos voos ou surf

Filmes de Bollywood a ‘bombar’

Rodar filmes indianos em Portugal foi um objetivo assumido por António Costa. A maior produção de Bolywood filmada no país foi a comédia “Paisa Vasool” (ao lado) que se estreou em setembro.

Mais 42 rotas aéreas no verão

Parte do bolo de verbas da promoção offline destina-se a captar mais voos para Portugal. Neste campo, destacam-se 42 novas operações aéreas para o verão de 2018 (período que vai de abril a final de outubro), o que inclui 22 rotas de estreia quer a nível de aeroportos ou de companhias. É o caso dos voos Porto-Atenas da transportadora Aegean, Ponta Delgada-Nova Iorque (aeroporto JFK) da Delta, Faro-Milão (aeroporto de Malpensa) e Faro-Nápoles da Easyjet ou Funchal-Bordéus da companhia Volotea. As restantes 20 novas rotas do verão referem-se a reforço de operações, como os voos Porto-Newark da United, Lisboa-Helsínquia da Finnair, Lisboa-Estocolmo da SAS, Funchal-Munique da Lufthansa ou Porto-Toronto da Air Canada Rouge. Acresce-se o segundo voo diário Lisboa-Dubai da Emirates.

€240 mil na onda na Times Square

Ter um anúncio da onda da Nazaré durante 15 dias na praça central de Nova Iorque custou €240 mil ao Turismo de Portugal, mas segundo a secretária de Estado do Turismo o retorno será multiplicado em vários dígitos, potenciando o crescimento das rotas da TAP para os EUA. “As receitas dos turistas norte-americanos cresceram 29% de janeiro a abril, gerando €38 milhões adicionais, para um total de €171 milhões. O crescimento dos turistas dos EUA foi de 61% entre 2015 e 2017”, frisa Ana Mendes Godinho. “É deste mercado imenso que estamos a falar quando comparamos investimentos de €240 mil em promoção turística”.