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Cascais vai ter ‘estúdios’ para empresas criativas

O edifício que o LACS vai ocupar foi desenhado pelo arquiteto Frederico Valsassina e foi a sede da Nokia em Portugal

D.R.

O LACS cresceu para Cascais, apenas sete meses depois de abrir em Lisboa. Até ao final do ano abre mais um na capital

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O Lisbon Art Center & Studios (LACS), o espaço de coworking e de escritórios flexíveis para empresas criativas que abriu em março junto à Rocha de Conde d’Óbidos, vai começar a expandir-se para outras localizações.

O segundo centro será em Cascais e abre já em setembro, e na calha está ainda um outro, de novo em Lisboa, que abrirá antes do final ano, revela ao Expresso um dos mentores e sócios, o empresário Miguel Chito Rodrigues.

O centro de Cascais terá a mesma capacidade que o da Rocha do Conde d’Óbidos e ficará instalado no edifício onde até há seis meses estava a sede da Nokia em Portugal, um imóvel que pertence à empresa familiar de Filipe de Botton, outro dos sócios deste projeto. Aliás, foi a forma mais rápida que encontraram para se expandir, tendo em conta a procura. “O LACS de Lisboa foi um grande sucesso e começámos a pensar em expandir, e como tínhamos aqui este edifício, aproveitámos”, conta Filipe de Botton, também presidente da Logoplaste.

Quanto ao novo espaço a abrir em Lisboa, ainda é cedo para revelar a localização, diz Miguel Chito Rodrigues, mas será, à semelhança dos anteriores, um edifício já existente para reabilitar ou apenas fazer alguma requalificação de modo a que se possa adaptar ao conceito do LACS. “Estamos numa fase do mercado tão boa, com tanta procura, que não nos podemos dar ao luxo de construir de raiz, porque esta solução demoraria cerca de dois anos e não há tempo para isso. A procura existe agora e, por conseguinte, temos de a aproveitar agora”, nota Miguel Chito Rodrigues. Além disso seria muito mais dispendioso. A transformação do edifício de Cascais no conceito do LACS vai custar apenas €1,5 milhões.

Procura dispara

Com estes dois novos centros, em menos de um ano, haverá três LACS na zona da Grande Lisboa e, muito provavelmente, todos eles a funcionarem à capacidade máxima.

“Em Lisboa temos todos os estúdios ocupados, algumas startups tiveram de alugar um espaço maior porque tinham contratado mais pessoas. Além disso, já não há lugares na área de cowork, e quando aparece alguém que quer ficar apenas umas horas estamos a usar a cafetaria. Mesmo assim, continuamos a receber interessados, não só para Lisboa. Já temos centenas de inscrições para Cascais, não só porque não encontram espaço na capital mas também porque querem estar em Cascais. Ou seja, não vai ser difícil comercializar por completo este edifício”, adianta Miguel Chito Rodrigues.

Além disso, explica, o LACS é “único espaço do género naquela zona. Aqui à volta só existem parques de escritórios, como o Tagus Park, e este é um conceito totalmente diferente”. De facto, apesar de haver uma área dedicada ao coworking, o LACS “não é um espaço de cowork, só temos 50 lugares para esse tipo de modalidade, e não é um centro de escritórios normal”, adianta o mesmo responsável. O LACS é um “cluster criativo” com estúdios e salas para “empresas e empresários ligados às artes, ao design e às novas tecnologias”.

“Queremos pessoas vocacionadas para as indústrias criativas e queremos que haja uma grande diversidade de nacionalidades, culturas e interesses”, explicava Filipe de Botton em declarações ao Expresso, em fevereiro.

Além deste foco nas atividades criativas, em detrimento de, por exemplo, uma sociedade de advogados, no LACS também se dá preferência a empresas que não ocupem grandes áreas, precisamente para permitir que haja mais rotatividade e comunicação entre o maior número possível de pessoas. Ainda assim, não descarta a hipótese de, em Cascais, ter apenas uma empresa com um total de 300 pessoas. Em Lisboa, por exemplo, está instalada a Cognizant, que emprega 225 pessoas.

O edifício em Cascais

Desenhado pelo arquiteto Frederico Valsassina, o edifício que vai receber o novo LACS custou €10 milhões há dez anos quando foi construído pela empresa dos negócios da família de Filipe de Botton, onde se incluem, por exemplo, a geladaria Santini ou parte dos hotéis Porto Bay.

Fica dentro do Campus da Logoplaste e, de início, foi arrendado à Alcatel que depois foi comprada pela Nokia, passando o edifício a ser a sede da marca finlandesa em Portugal. No mesmo local, uma pequena zona empresarial junto a Cascais, estão também as sedes da Logoplaste e de outros negócios da família Botton, e ainda o CADIn — Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil.