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Trabalhadores da CGD de França suspendem greve iniciada em abril

"A sucursal da CGD em França tem sido despedaçada. Nem os telefones funcionam e por vezes são os clientes que têm de emprestar os seus telemóveis aos funcionários para estes telefonarem para Lisboa", acusam os sindicatos

Foto Luís Barra

Sindicatos pretendem criar clima de "apaziguamento" e assegurar o serviço do banco "à clientela emigrante portuguesa, nesta época do ano". Há dois meses e meio que trabalhadores protestam contra fecho de agências da CGD em França

A greve dos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em França, iniciada em 17 de abril, vai ser suspensa a partir das 20 horas deste sábado, anuncia a Intersindical FO-CFTC.

Em comunicado, a central sindical representativa dos sindicatos maioritários da sucursal de França da CGD, e a Comissão de negociação eleita pelos trabalhadores em luta "informam que foi votada ontem [sexta-feira], em assembleia-geral, a suspensão da greve, iniciada no passado dia 17 de abril, a partir das 20:00 de hoje".

De acordo com os representantes, "com a decisão de suspensão deste movimento, pretende-se criar um clima de apaziguamento no âmbito da mediação em curso, assim como assegurar o serviço do banco público à clientela emigrante portuguesa, nesta época do ano, de grande afluência às agências".

A Intersindical FO-CFTC e a Comissão de Negociação acrescentam que, de acordo com vontade expressa pelos trabalhadores em greve há dois meses e meio, "a luta continua, através da via judiciária, sindical e política, estando nomeadamente previstos novos pedidos de audiências em Lisboa".

Na sexta-feira, as duas entidades anunciaram que iriam recorrer da decisão do Tribunal da Relação de Paris, que lhes indeferiu o pedido para acederem ao Plano industrial de 2013 e ao Plano de Reestruturação de 2016, cerca de dois meses e meio após o início da paralisação contra o encerramento dos balcões da CGD em França.

O tribunal justificou a rejeição dos pedidos de acesso aos documentos, com a "confidencialidade decidida e imposta pelo Estado português aos pedidos de divulgação de certas informações, a coberto do segredo profissional".

O mesmo Tribunal da Relação de Paris ordenou que a CGD dê acesso à Comissão de Trabalhadores "a um certo número de documentos que até agora o banco público tinha recusado disponibilizar", nomeadamente, as atas dos Conselhos de Administração da CGD desde janeiro de 2013, adiantaram na altura os representantes dos trabalhadores da entidade em França.

A sucursal em França da CGD tem 48 agências e mais de 500 trabalhadores. A redução da operação da CGD fora de Portugal (nomeadamente Espanha, França, África do Sul e Brasil) foi acordada em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.

Em maio, o presidente da CGD, Paulo Macedo, afirmou querer manter a operação da CGD em França e adiantou que está a negociar isso com as autoridades europeias.

A redução da operação da CGD acordada com a Comissão Europeia passa também pelo fecho de 180 balcões em Portugal até 2020, 70 dos quais encerram ainda este ano. Em 2017, fecharam 67 balcões, pelo que, com o encerramento destas 70 agências, a CGD terá ainda de fechar mais 43 balcões nos próximos dois anos.