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Nasceram 28.699 empresas em 10 anos

FOTO tiago miranda

Desde 2007, 7% das 409.253 empresas criadas em Portugal são do sector imobiliário

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Entre 2007 e 2017, nasceram em Portugal 409.253 empresas, 28.669 (7%) estavam ligadas ao imobiliário. E apesar da percentagem parecer residual, a Informa D&B, que responde pelos números, tem destacado o sector como um dos mais dinâmicos na criação novas empresas.

Em dez anos, o número de empresas com atividade ligada a esta área cresceu 65%, segundo os dados compilados pela consultora a pedido do Expresso. E não é só de mediação imobiliária que estamos a falar. Os negócios ligados à avaliação imobiliária cresceram 1800%, no mesmo intervalo temporal. As alterações legais introduzidas ao enquadramento da atividade e as mudanças no próprio contexto de mercado justificam, segundo a Associação Nacional de Avaliadores Imobiliários (ANAI), parte deste crescimento.

Em 2012, sofrendo já os impactos da crise que haveria de atingir o seu pico no primeiro trimestre de 2013, o número de novas empresas ligadas à atividade imobiliária atingiu o valor mais baixo desde 2007, 1674 novas empresas (ver gráfico ao lado). A dinâmica de criação de novos negócios haveria de ganhar novo impulso a partir daí, mas não de igual forma em todas áreas do sector.

Crescimentos diferenciados

A Informa D&B agrega sob a chancela de “atividades imobiliárias” a compra e venda de imóveis (detidos pelo próprio), a mediação imobiliária, o arrendamento de bens imobiliários, as atividades de angariação imobiliária, a administração de imóveis por conta de outrem, a administração de condomínios e a avaliação imobiliária. Destes, só o segmento de novas empresas ligadas à administração de condomínios não cresceu. Esta área de negócio registou até um 
retrocesso de 63% na criação de novas empresas. Em 2007 foram criadas 194 empresas. Em 2017, o sector não foi além das 72. E se o número de empresas criadas sob a designação de “mediação imobiliária” só aumentou 23%, as atividades ligadas à compra e venda de bens imobiliários e ao arrendamento de bens imobiliários, registaram crescimentos 
de 82% e 83%, respetivamente.

A merecer destaque estão as novas empresas ligadas à administração de imóveis por conta de outrem, com um crescimento de 136% entre 2007 e 2017, e o da avaliação imobiliária, com um crescimento de 1800%. A percentagem, que espanta pela dimensão, encontra explicação no fraco número de empresas criadas em 2007 (apenas uma), na expansão que o sector da avaliação imobiliária registou desde então pelo aumento das competências exigidas aos profissionais. Mas não só.

Em declarações ao Expresso, a direção da ANAI justifica parte deste crescimento com a aprovação de um novo quadro legal para o exercício da função de “perito avaliador de imóveis”, a Lei 153/2015, de 14 de setembro, que enquadra a prestação deste serviço a entidades do sistema financeiro, obrigando ao registo das sociedades que prestem estes serviços na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Segundo as contas da ANAI, existem atualmente 250 empresas registadas na CMVM. Um número que, reconhece, não reflete a dimensão total do universo das empresas, já que só as que prestam serviços a entidades do sector financeiro têm obrigatoriedade de registo.