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Novo Banco coloca dívida ao preço mínimo de 8,5%

António Ramalho, presidente do Novo Banco

FOTO José carlos santos

Banco concluiu com sucesso a colocação de 400 milhões de euros de dívida subordinada no mercado. 62,5% do total foi conseguido à conta de troca de obrigações sénior

A emissão de obrigações subordinadas do Novo Banco foi concluída com sucesso esta sexta-feira. O banco liderado por António Ramalho refere em comunicado que “concluiu hoje com sucesso a emissão de 400 milhões de euros de dívida subordinada, registando uma procura de mais do dobro da oferta para novos investidores, reforçando assim os seus capitais”.

Esta operação é a primeira desde a criação do Novo Banco em agosto de 2014 quando o antigo BES foi intervencionado. Representa o regresso do banco ao mercado numa operação que tinha sido assumida com Bruxelas aquando da venda de 75% do capital ao fundo norte-americano Lone Star. Com o sucesso da operação o Fundo de Resolução, que ficou com 25% do capital do banco, não terá de tomar firme a emissão. O que estava previsto e acordado com Bruxelas caso os investidores não acorressem à emissão de dívida subordinada que conta para o rácio de capital tier 2.

62,5% foi por troca de obrigações

Esta emissão de 400 milhões de euros foi, segundo o Novo Banco, “obtida numa primeira fase através de 258,8 milhões de euros de novas obrigações Tier 2 resultantes da troca de obrigações seniores existentes, ou seja 62,5% do total da emissão, e através de novos investidores, onde a procura atingiu mais de 2,2 vezes o montante realizado de 141,2 milhões de novas obrigações”.

Ainda segundo o comunicado do Novo Banco, “a operação foi concluída ao preço mínimo de 8,5%”. Porém, “como houve uma larga adesão na troca de obrigações cupão zero de longo prazo (mais de 80%), o custo marginal para o Banco será cerca de 1/4 daquele valor”.

Esta operação tier 2 e a oferta de aquisição e de troca “deverão ter liquidação financeira em 6 de julho de 2018”. A emissão ocorreu após diversas reuniões com investidores institucionais que ocorreram em Lisboa e Londres entre 22 e 26 de junho de 2018.

Esta operação foi marcada pela ausência de grandes investidores institucionais, como a Pimco, a Blackrock, a Attestor Capital e a CQS, que têm "boicotado" as emissões de dívida em Portugal por causa da transferência para o BES 'mau' de obrigações subordinadas que detinham no Novo Banco no final de 2015.

Estes investidores tomaram uma posição conjunta esta sexta-feira em que afirmam que “o preço desta emissão está mais de 500 pontos acima das mais recentes ofertas comparáveis de bancos periféricos não portugueses, num sinal claro de que os investidores internacionais continuam preocupados com os riscos apresentados pelo sistema bancário português e com a falta de vontade de resolver as questões discriminatórias contra os obrigacionistas do Novo Banco”.