Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Venda de ativos da Teixeira Duarte geram lucros de 50 de milhões de euros

Com o negócio do Lagoas Park, a Teixeira Duarte aproxima-se da meta dos 500 milhões de euros a que se comprometeu com a troika bancária. O exercício de 2018 vai apresentar fartos lucros

A Teixeira Duarte (TD) escolhera um sábado (26 de maio) para informar o mercado da maior operação portuguesa de sempre de imobiliário de escritórios - a venda em bloco do Lagoas Park. Na altura referiu que a mais-valia seria de 25 milhões de euros.

No mercado, apontava-se para um valor um pouco acima dos 300 milhões. Esta quinta-feira, a TD terminou com as especulações, indicando o valor da operação: 375 milhões que se destinam, na íntegra, a reduzir o passivo. O conglomerado familiar já respira melhor.

O balanço das vendas realizadas permite ao grupo aproximar-se da meta dos 500 milhões de euros a que se comprometeu com a banca.

A pista Lone Star

Do lado da compra está Ellis Short, um velho conhecido da Lone Star, o fundo que é dono do Novo Banco. Ellis foi administrador até 2007 da Lone Star e experimentou depois o negócio do futebol com uma incursão desastrosa pelo Sunderland (vendeu há dois meses).

O Novo Banco é o principal credor da TD - representa, entre contas caucionadas, papel comercial ou descobertos bancários, mais de metade da dívida corrente de 500 milhões de euros. A operação Lagoas beneficia o seu balanço.

Foi uma subsidiária europeia do fundo Kildare que ficou dona do Lagoas Park, batendo a concorrência chinesa que, num primeiro momento, se perfilou como candidata.

É a estreia do fundo em Portugal. Há três anos, o fundo Kildare anunciou que dispunha de 2 mil milhões de euros para aplicar em países como Itália, Holanda, ou Portugal. Ana Tavares, uma gestora com uma vasta carreira financeira, já se juntara à equipa em Londres, dirigindo as operações em Portugal.

O perfil das aquisições apontava para operações até 200 milhões. Mas a tentação de Lisboa levou o fundo a exceder a cifra de referência na estreia.

Troika bancária define ajustamento

A três anos de festejar o centenário, a TD terá em 2018 um exercício de lucros fartos, pelas mais valia geradas pela venda de ativos. O somatório vai nos 50 milhões de euros.

O conglomerado escolhera um feriado (25 de abril) para partilhar com o mercado o acordo que firmara com a troika bancária - Novo Banco, BCP e CGD -, adiando pagamentos e otimizando o custo da dívida.

Com alguma candura, reconhecia que estava refém da troika e dava início finalmente ao seu PREC - Processo revolucionário em curso para adequar "os níveis de financiamento e a autonomia financeira" à atividade do grupo.

A revolução é pacífica e resume-se a abater dívida e despachar participações e ativos dispensáveis, sem interferir nos negócios nucleares do grupo. Em 2017, fora vendida a área de energia.

As peças na lista dos descartáveis (a imobiliária que detém o shopping Cidade do Porto e as participações de 9% na Autoestrada do Baixo Tejo e na sociedade do metro sul do Tejo) terão um efeito reduzido O BCP deixou de estragar os resultados.

A ameaça principal reside em Angola, um mercado que o conglomerado faz, em vários negócios, 40% da sua receita e que lida com uma desvalorização violenta do kwanza.

Lusoponte por 23, 3 milhões

A última operação da TD foi a venda da participação na Lusoponte (7,5%). Tinha caráter financeiro. Em 2017, gerara um dividendo de 1,3 milhões - a sua quota no lucro fora de 1,6 milhões. Agora, o parceiro da Mota-Engil e da Vinci na base acionista da Lusoponte é uma estatal chinesa, desconhecida até agora por aqui. A China Constrution pagou 23,3 milhões, ou seja, 15 anos de lucros, tendo como referência o do último exercício. É o preço para conhecer a realidade da Lusoponte.

Adeus hospital de Cascais

A venda, em 2018, dos 90% que detinha na sucursal de gestão hospitalar ditou a saída do hospital de Cascais e do sector. A operação rendeu 19,4 milhões à TD e cortou 75 milhões de euros ao passivo.

Menor exposição à dívida angolana

Em 2017, a TD reduziu em 15 milhões de euros a exposição a obrigações do Estado angolano. São títulos indexados ao dólar. No fim do ano, a carteira contava com 24,5 milhões de dívida pública angolana. A posição residual no BCP (vale 1,9 milhões) também pode ser liquidada.

Descarrilamento de 42 milhões de euros

Nunca uma ferrovia de apenas 1,1 km deu origem a um desastre financeiro tão pesado. A parceria para o monocarril de Oeiras levou a TD, entre investimento e perdas na exploração, a destruir 42 milhões de euros. Pior só o BCP (580 milhões). O sistema deixou de funcionar em 2015. A TD entregou por dois euros o equipamento à Câmara, mas já repartira as perdas pelos exercícios anteriores. O Lagoas Park entrara na lógica do investimento.