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Santa Casa entra com 0,00416667% no capital do Montepio

Edmundo Martinho vê cada vez mais distante o sonho de ser acionista de um banco

Tiago Miranda

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) vai entrar com 75 mil euros no capital do Montepio. Uma participação simbólica, como já se sabia, que fica muito abaixo dos 10% de que se falou e que implicariam um investimento na ordem dos 200 milhões de euros

A Santa Casa Misericórida de Lisboa começou por equacionar entrar com uma participação de 10% no capital da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), o que implicaria um investimento a rondar 200 milhões de euros. Passado mais de um ano, os 10% passaram a apenas 0,00416667.% que correspondem aos 75 mil euros que vão ser injetados no capital do banco. Isto tendo em conta que o valor da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) nas contas da Associação Mutualista corresponde a 1,8 mil milhões de euros.

Um valor simbólico como já havia dito em entrevista ao Expresso, em maio, o Provedor da SCML, Edmundo Martinho mas acima da avaliação feita pela Haitong ao banco do Montepio: entre 1,5 mil milhões e 1,6 mil milhões de euros.

A entrada da SCML, assim como das restantes misericórdias que vão formalizar a entrada no capital do banco amanhã, sexta-feira, precisa da aprovação do Conselho Geral da Associação Mutualista Montepio Geral, dona do banco que está esta tarde reunida para, entre outros pontos aprovar as contas consolidadas da Associação. Fonte oficial da Associação do Montepio, liderada por Tomás Correia, afirmou ao Expresso que o Conselho Geral já aprovou a entrada da SCML e das restantes entidades da economia social.

O valor de entrada - os 75 mil euros - foi avançado por Edmundo Martinho à TVI.

Para o recuo no montante do investimento, contribuiu a polémica instalada junto dos partidos políticos e opinião pública e o facto de os deputados terem aprovado uma recomendação para travar o investimento desta envergadura e de haver, ao mesmo tempo, uma proposta de lei para alterar os estatutos da Santa Casa. Ficando estes sujeitando os mesmos à aprovação prévia da tutela, ou seja do Ministério do Trabalho e Segurança Social, quando estiverem em causa investimentos estruturantes e estratégicos.

Esta sexta-feiram, às 11.30, a Associação Mutualista Montepio formaliza a entrada dos novos acionistas 'simbólicos' no capital do banco que detém. Na assinatura do acordo estarão presentes o presidente da Associação do Montepio, Tomás Correia, Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, João Marques Pereira, presidente da Associação Portuguesa de Mutualidades, e Edmundo Martinho, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.