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O Movimento pelo Interior volta a juntar-se… agora no Alentejo

Afinal, não se extinguiu, como fora anunciado publicamente por Álvaro Amaro, no passado dia 18 de maio, em Lisboa. Cinco semanas depois da apresentação das suas propostas ao Presidente da República, ao Governo e ao Parlamento, o Movimento volta ao ativo, e hoje desce à planície alentejana

O Movimento pelo Interior, que se extinguiu no passado dia 18 de maio, afinal está de volta. Esta tarde Miguel Cadilhe, Jorge Coelho, Álvaro Amaro, entre outros membros fundadores daquele Movimento dinamizador da coesão territorial, vão estar na Herdade do Vale da Rosa, em Ferreira do Alentejo, para voltar a discutir o interior, mas desta vez no meio da planície.

“É uma forma de não deixarmos que o tema do interior caia no esquecimento e de chamar a atenção para uma região, provavelmente das mais afetadas do país pelo drama da desertificação”, explica Ricardo Costa, gestor da Herdade do Vale da Rosa – uma das maiores empresas agrícolas nacionais, especializada na produção de uva de mesa sem graínha.

Sublinha que quando se fala da desertificação do interior normalmente pensa-se sempre na Beira Baixa, na Beira Alta e em Trás-os-Montes. “Mas a verdade é que muitas das nossas aldeias, aqui no coração do Alentejo, têm muito menos pessoas que naquelas regiões e raramente se fala disso. Esperemos que hoje o tema seja colocado na agenda, com a realização deste encontro aqui na nossa herdade”.

Alqueva trouxe investimento, mas ainda faltam pessoas

Apesar do dinamismo económico que a água de Alqueva acabou por injetar em toda a região interior do Baixo Alentejo, a verdade é que muitas empresas que ali se estão a instalar – o caso da Herdade do Vale da Rosa é apenas mais um – não conseguem facilmente mão-de-obra.

Esta empresa de Ferreira do Alentejo, por exemplo, que chega a empregar mais de 1000 pessoas no pico da colheita, tem de ir buscar mão-de-obra num raio de 100 quilómetros, e muitos trabalhadores vêm de Espanha.

Para tentar contrariar esta realidade, a Herdade do Vale da Rosa está a recrutar madeirenses que estão a regressar de ‘mãos vazias’ da Venezuela. Ricardo Costa, nota que “esta pode ser uma oportunidade para essas pessoas, que estão sem nada, e também para nós, que assim garantimos mão-de-obra para a nossa empresa". No total vão ser realizadas 600 entrevistas de recrutamento no Funchal e, numa primeira fase, a empresa de Ferreira do Alentejo, espera trazer para o Vale da Rosa entre 70 a 100 madeirenses.

Isso mesmo será também debatido esta tarde no encontro que vai voltar a juntar, no Alentejo, o Movimento pelo Interior. Recorde-se que este Movimento propôs ao Governo medidas de caráter fiscal (redução de impostos) para atrair pessoas e empresas para o interior do país. O primeiro-ministro António Costa já admitiu mesmo uma taxa de zero por cento de IRC para certas empresas, dependendo do número de postos de trabalho criados.