Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Energia Simples quer acabar com monopólio da EDP na compra de energia renovável subsidiada

Comercializador nacional pretende ter acesso à compra e venda de eletricidade do regime especial, que por lei é ainda um exclusivo da EDP Serviço Universal

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Energia Simples, comercializador de eletricidade com cerca de 20 mil clientes em Portugal, quer que a EDP Serviço Universal deixe de ter o exclusivo da compra da eletricidade que é produzida em regime especial, com tarifas subsidiadas.

"É preciso que a produção do regime especial com tarifas bonificadas seja disponibilizada no mercado spot (mercado grossista)", defendeu esta quarta-feira o presidente da Energia Simples, Manuel Azevedo, num encontro com jornalistas.

Para o fundador da Energia Simples, que tem uma quota de 2,4% na comercialização de eletricidade em Portugal, não se justifica que toda a produção do regime especial seja obrigatoriamente adquirida pela EDP Serviço Universal, porque isso funciona como um entrave à concorrência e à expansão de operadores independentes.

A lei confere aos produtores do regime especial (renováveis e cogeração) não apenas uma tarifa bonificada mas também a garantia de que a energia que produzem é integralmente comprada pela EDP Serviço Universal.

Segundo Manuel Azevedo, a abertura da compra e venda da energia do regime especial teria várias vantagens. Por um lado, preparar esses produtores para o momento em que os seus parques deixem de ter a tarifa garantida e passem a ter de vender a energia no mercado. Por outro lado, dar a pequenos comercializadores acesso a volumes maiores de energia renovável, o que lhes permite maiores fluxos de caixa e menores custos financeiros nas suas operações, além da possibilidade de vender energia 100% verde aos seus clientes.

A Energia Simples alcançou em 2017 uma faturação de 101 milhões de euros, mais que duplicando os 41 milhões de 2016. No entanto, o resultado da empresa ficou no vermelho, com um Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) negativo. Manuel Azevedo não quis precisar o prejuízo que a empresa teve no ano passado.

O mesmo responsável adiantou que 2018 está a ser um ano melhor, com um Ebitda de 800 mil euros no primeiro trimestre e previsão de um resultado próximo dos 2 milhões de euros para o total de 2018.

A Energia Simples, que está a dar os primeiros passos na comercialização de gás natural, estima no final deste ano alcançar uma faturação entre 140 e 150 milhões de euros. Além de Portugal a empresa já vende energia em Espanha e está a preparar-se para entrar também na Alemanha.