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Acionistas da EDP Renováveis fazem barulho: oferta chinesa não chega

António Mexia (CEO da EDP) e João Manso Neto (CEO da EDP Renováveis).

Luis Barra

A Shareholder Value Management, que pretende esta quarta-feira eleger um administrador independente da gestão de António Mexia, critica a oferta da China Three Gorges por colocar a EDP Renováveis “muito abaixo do seu valor real”

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Shareholder Value Management (SVM), empresa que pretende esta quarta-feira eleger um administrador representativo dos acionistas minoritários da EDP Renováveis, qualifica como “insuficientes” as ofertas feitas até ao momento pela China Three Gorges (CTG) para a aquisição da empresa.

A CTG anunciou a 11 de maio a intenção de lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a EDP, ao preço de 3,26 euros por ação, e outra sobre a EDP Renováveis, a 7,33 euros por ação. No primeiro caso com um prémio de quase 5% sobre a cotação que as ações tinham, no segundo caso com um desconto face ao valor de mercado da Renováveis.

Além da contrapartida financeira, a CTG apresentou um plano industrial para o grupo EDP, incluindo a EDP Renováveis, que passa por aportar à elétrica portuguesa alguns dos ativos da Three Gorges, e abrir o mercado das eólicas offshore da China à EDP.

“A SVM defende que as ofertas apresentadas para a EDP Renováveis são insuficientes, uma vez que valorizam a empresa muito abaixo do seu valor real. A SVM acredita no valor da EDP Renováveis e pretende avaliar qualquer oferta que venha a ser apresentada, desde que o preço oferecido reflita o valor adequado aos ativos da empresa”, aponta a empresa numa nota enviada ao Expresso.

A posição da SVM surge na véspera da assembleia geral extraordinária da EDP Renováveis, que decorrerá esta quarta-feira em Madrid, e na qual serão eleitos os novos membros do conselho de administração para o próximo mandato, na sua maioria repetindo a formação atual.

Na assembleia está ainda prevista a votação de uma proposta apresentada pelos acionistas minoritários, encabeçados pela Axxion, que administra os fundos da SVM. Essa proposta, subscrita por investidores que têm 6% do capital da EDP Renováveis, é a de eleger o advogado espanhol Alejandro Araoz para o conselho de administração.

A posição da SVM surge também depois de na segunda-feira a agência Bloomberg ter dado conta de que a francesa Engie estará a analisar uma eventual oferta de aquisição da EDP Renováveis ou de alguns dos seus ativos, caso a Renováveis seja obrigada a desfazer-se de partes do seu negócio no âmbito da OPA da CTG.

A EDP Renováveis é controlada em 82,6% pela EDP. Os restantes 17,4% estão dispersos por vários acionistas minoritários.