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Milionário francês planeia investir mais €1,2 mil milhões

O empreendimento Terraços do Monte, ao pé da Graça, em Lisboa, foi o primeiro a ser comprado, em 2016, mas as obras só arrancam em outubro deste ano

d.r.

Empresa. Claude Berda quer comprar a Comporta, mas a sua atividade em Portugal vai muito além desse projeto

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A Vanguard Properties, a empresa portuguesa do milionário francês Claude Berda, é uma das interessadas em comprar a Herdade da Comporta, o falido projeto turístico do Grupo Espírito Santo (GES), mas o interesse desta companhia em Portugal não é de agora. Desde o final de 2015 que a Vanguard anda a comprar terrenos e edifícios para reabilitar em Lisboa, na Comporta e no Algarve, e hoje tem, em diferentes fases de desenvolvimento e prestes a começar as obras ainda este ano, um conjunto de 15 empreendimentos que representam um investimento total de €680 milhões.

Contudo, o objetivo não é, de todo, ficar por aqui. “Estamos muito focados no mercado português. Acreditamos que, por estarmos a conseguir captar estrangeiros, não só pelos benefícios fiscais mas também porque eles querem viver aqui, temos uma oportunidade única, isto se os nossos governantes não cometerem nenhuma asneira fatal”, diz em entrevista ao Expresso o responsável e porta-voz da Vanguard, José Cardoso Botelho.

A ideia é, por isso mesmo, reforçar a atividade em Portugal. “Provavelmente vamos gastar o dobro do que já investimos”, adianta José Cardoso Botelho. Ou seja, pelas nossas contas, se já investiram €680 milhões, falamos de cerca de €1,2 mil milhões ou mesmo mais. E José Botelho explica porquê.

“Pretendemos comprar mais cinco a oito projetos ainda este ano. Estamos a olhar para reabilitação no Algarve e para mais duas coisas no Porto, de residencial e turismo e talvez escritórios. Mas o que estamos a negociar agora são projetos de grandes dimensões e como o mercado evoluiu os preços também estão mais altos. O nosso próximo projeto, que já está em curso, será de aproximadamente €400 milhões e há um outro que será maior que todos os que já foram realizados até agora”, conta, sem revelar mais detalhes.

Aliás, se na primeira fase se focaram em projetos que não avançaram por falta de dinheiro ou porque as empresas que os estavam a promover entraram em insolvência, nesta espécie de segunda fase de investimento, o foco da empresa são os grandes projetos. E dinheiro não é problema.

“O negócio da promoção imobiliária residencial não tem, em Portugal, muitos grandes operadores ou investidores, e nós temos uma capacidade financeira muito forte. O principal acionista é o Claude Berda, que tem a fortuna dele e agora está a aplicá-la em imobiliário. Não recorremos à banca para comprar nada”, garante José Botelho.

Claude Berda é um dos maiores investidores em Portugal

Claude Berda é um dos maiores investidores em Portugal

Mas isso não significa que não haja critérios. Pelo contrário, eles são exigentes e muito claros. “Não compramos nenhum terreno em que os índices de construção não estejam já garantidos pela câmara”, explica. E, além disso, “o princípio do senhor Berda é nunca olhar para quanto podemos perder, mas sim para quando podemos perder, ou seja, se podemos suportar o prejuízo se as coisas correrem mal. Se sim, avançamos. Se depois vamos ganhar muito ou pouco é o mercado que define, não é o Excel”, salienta.

Como tudo começou

A história de como o milionário francês Claude Berda escolheu Portugal para investir em imobiliário começa com um selfie stick e um passeio por Lisboa. “O filho dele, o Roland Berda, veio passar férias à Comporta em agosto de 2015 e ficou muito bem impressionado. Em setembro voltou em trabalho e quando regressou disse ao pai que ele devia vir cá. Umas semanas depois veio então o Claude e fomos, ele e a mulher dele e eu e a minha mulher, dar um passeio por Lisboa. Parámos num miradouro ao pé do Castelo de São Jorge para tirar uma fotografia com o selfie stick que a minha mulher tinha comprado nesse dia e por trás, na foto, via-se uma placa a dizer vende-se. O Claude olhou para o espaço e disse: ‘se está à venda então vamos comprar’. E assim foi”, conta ao Expresso José Cardoso Botelho, o responsável pelos investimentos do empresário francês em Portugal.

Nascia assim a Vanguard Properties, a promotora imobiliária de Claude Berda em Portugal. Estávamos no final de 2015 e o espaço em questão era um terreno situado no cimo da Rua Damasceno Monteiro, por baixo do Miradouro da Nossa Senhora do Monte, perto da Graça. “Tinha sido vendido pela EPUL em hasta pública ao sobrinho do Pedro Queiroz Pereira que, entretanto, o estava também a vender já com um projeto de um edifício de habitação do ateliê de arquitetura ARX, dos irmãos Nuno e José Mateus. Foi a ele que o comprámos, já em março de 2016, e decidimos manter o mesmo desenho. Foi a nossa primeira aquisição”, acrescenta.

A este projeto — a que chamaram Terraços do Monte — seguiram-se, rapidamente, muitos outros. Tal como referido em cima, em pouco mais de dois anos, entre março de 2016 e junho de 2018, a Vanguard comprou e começou a desenvolver 15 empreendimentos. Destes, nove já estão em curso, em diferentes fases.

Contudo, o primeiro projeto a sair do papel não foi o primeiro que compraram. De acordo com José Botelho, o Terraços do Monte, um investimento de €10,5 milhões em 28 apartamentos, dos quais quatro têm piscina privada e vista sobre a cidade (na foto) “está ainda na fase final de aprovação”. As obras deverão começar em outubro, prevendo-se a sua conclusão para maio de 2020.

Antes disso já muitos outros arrancaram. Em maio foi a vez do White Shell e do Castilho 203 e em junho, do Bayline, do Radio Palace e do A Tower. Em julho será a vez de Tomás Ribeiro 79 e em outubro do Terraços do Monte e do Infinity.

Contas feitas, só este ano a Vanguard vai começar a construir 612 casas e apartamentos.
Interesse sério na Comporta

Na lista dos projetos que já arrancaram e que referimos em cima, está a faltar um: o Muda Reserve. Fica na Comporta, foi o primeiro a arrancar, em novembro de 2017, com a construção das infraestruturas e trata-se de um resort que terá disponível, além das habituais moradias, mais de 40 quintas e ainda terrenos com cinco hectares “onde se podem fazer casas com 500 m2 e mais 100 m2 de alpendre”, diz José Botelho. Além disso está previsto criar ali uma zona de produção biológica de leguminosas.

A ligação da Vanguard à Comporta não é, por isso, de agora. Não só o Muda Reserve chegou a fazer parte da Herdade do GES como foi precisamente na Comporta que o filho de Claude Berda passou férias e ficou impressionado com o país.

O interesse em comprar a Herdade, em parceria com a empresária Paula Amorim, é, por isso, muito sério. Em declarações recentes ao Expresso, José Botelho garante que a empresa tem todas as condições financeiras para avançar já com o projeto e que, se ganharem, o primeiro passo é concluir “as obras de infraestruturas há muito iniciadas e terminar o campo de golfe, em primeiro lugar” e “dar início às obras de infraestruturas nunca começadas”.

Resta agora saber se batem os concorrentes, um deles, outro milionário francês, o príncipe francês Louis-Albert de Broglie.