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Juros da dívida portuguesa em queda acelerada reaproximam-se de mínimos

O adiamento até final do verão de 2019 da mexida nas taxas de juro por parte do BCE e a ameaça de uma guerra comercial generalizada agravando o abrandamento da economia mundial estão a provocar esta terça-feira uma descida generalizada dos juros das obrigações da zona euro. Juros a 10 anos para Portugal descem para 1,7% próximo do mínimo histórico de 1,67% em leilões de dívida

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos desceram esta terça-feira para 1,7% no mercado secundário da dívida pública, reaproximando-se do mínimo histórico de 1,6% registado em leilões de dívida naquele prazo.

Recorde-se que, no último leilão de OT, naquele prazo de referência, realizado na quarta-feira passada, o Tesouro teve de pagar 1,919% e no mercado secundário as yields chegaram a fechar em 2% no dia 12 de junho, na véspera do leilão.

Abre-se uma nova janela de oportunidade para o Tesouro português voltar a colocar dívida em juros historicamente baixos, depois do último leilão de 13 de junho parecer ter marcado o fim dessa situação excecional.

A descida dos juros no mercado secundário esta terça-feira é generalizada na zona euro. Os juros para as obrigações alemãs, que servem de referência na zona euro, desceram no prazo a 10 anos para 0,36%. Na semana passada estavam perto de 0,5%. No caso da dívida italiana, que esteve sujeita a forte pressão dos mercados na primeira quinzena deste mês, os juros naquela prazo desceram agora para 2,57%, quando fecharam em 3,1% a 8 de junho.

Os efeitos Draghi e Trump

O regresso a uma trajetória de juros baixos da dívida de longo prazo na zona euro está a ser bafejado por dois eventos, um na zona euro e outro que se prende aos riscos na economia mundial.

O primeiro deriva da decisão do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira passada em estender por mais três meses a partir de final de setembro o programa de compra de ativos, e nomeadamente de aquisição de dívida pública no mercado secundário, que tem sido um verdadeiro balão de oxigénio para os periféricos. O BCE garantiu, ainda, que não vai mexer nas taxas diretoras até ao final do verão do próximo ano e que mantém o reinvestimento das amortizações dos títulos que tem em carteira como intervenção importante no mercado da dívida, mesmo depois do programa de compra terminar no final de 2018.

Mario Draghi, o presidente do banco, reafirmou esta terça-feira no Fórum anual em Sintra esta estratégia de manutenção de um quadro de política monetária "acomodatícia" e preparada para uma gestão de contingência, no caso do abrandamento na zona euro se acentuar e dos riscos globais, como o do protecionismo, se acentuarem.

O segundo evento tem a ver com o risco iminente de guerras comerciais generalizadas este verão. A Administração Trump avisou esta terça-feira de que está a estudar novas taxas aduaneiras de 10% para importações provenientes da China no valor de 200 mil milhões de dólares (€173 mil milhões). Pequim já visou que retaliará.

Um ambiente de guerras comerciais globais vai ter um impacto negativo sobre a economia mundial e vai obrigar o BCE a gerir com ainda mais prudência e cautela a saída de uma política monetária de estímulos desde 2014. O que é benéfico para os juros da dívida.