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Economia alemã ameaçada por taxas de Trump e crise interna

HANNIBAL HANSCHKE/ REUTERS

Em apenas três meses, as previsões para o crescimento do PIB alemão caíram de 2,6% para 1,8%. As taxas aduaneiras impostas por Trump, assim como o clima de crise vivido no seio da coligação governativa, explicam revisão em baixa

O Instituto para a Investigação Económica alemão (Ifo) reduziu esta terça-feira a previsão de crescimento da Alemanha para 1,8% em 2018, face aos 2,6% que tinha estimado na primavera. Trata-se de uma revisão importante, em apenas três meses. No horizonte, perfilam-se várias ameaças que estão a minar a confiança dos empresários alemães e as perspetivas de crescimento - incluindo a ameaça de uma guerra comercial com os Estados Unidos, caso a administração de Donald Trump aprove definitivamente a aplicação de taxas aduaneiras sobre as importações de aço e alumínio oriundas da União Europeia.

“No céu da conjuntura alemã formam-se atualmente poderosas nuvens de tempestade”, alerta o responsável de conjuntura do Ifo, Timo Wollmershäuser, citado em comunicado de imprensa.

Nas últimas previsões de março, o Ifo tinha estimado um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) alemão de 2,1% para o próximo ano, uma perspetiva que o Ifo, um dos principais institutos alemães de análise económica, mantém.

“A economia evoluiu nos primeiros meses do ano consideravelmente pior do que o esperado, com o clima de confiança empresarial da deteriorar-se e os riscos económicos globais a aumentarem significativamente”, explica Timo Wollmershäuser.

Esta revisão em baixa acontece dias depois de o banco central do país ter revisto também em baixa as suas previsões para o crescimento do PIB alemão: em dezembro, perspetivava uma crescimento de 2,5% para 2018; agora, prevê um crescimento de 2%.

Segundo o Bundesbank, as ameaças às trocas comerciais e a situação de crise política no seio da coligação no poder, entre a CDU e a CSU, a propósito da aplicação de regras de controlo fronteiriço mais apertadas, colocam a economia alemã sob maior pressão.

"Ainda assim, acreditamos que a retoma na Alemanha vai continuar, mas não ao mesmo ritmo do que em 2017", conclui o Ifo, estimando que o número de desempregados na Alemanha continue a reduzir-se dos 5,7% (2,5 milhões) do ano passado até aos 5,2% (2,3 milhões) em finais de 2018 e 4,9% (2,2 milhões) em 2019. As exportações deverão crescer 3% este ano e 4,1% em 2019. O organismo prevê também que o excedente do Estado se mantenha nos dois anos nos 1,1%, e que o excedente da balança comercial fique nos 7,9% em 2018 e nos 7,6% em 2019.