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BCE será paciente na escolha da data para subir as taxas de juro, garantiu Draghi em Sintra

O presidente do Banco Central Europeu sublinhou esta terça-feira na abertura da sessões do Fórum anual em Sintra que não haverá precipitações e que, pelo menos, até final do verão do próximo ano não haverá mexidas nas taxas diretoras que estão em mínimos históricos

Jorge Nascimento Rodrigues

“Continuaremos a ser pacientes na determinação do momento para a primeira subida da taxa [de juro] e seguiremos daí em diante uma abordagem gradual para ajustar a política [monetária]”, afirmou Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), na abertura esta terça-feira das sessões do Fórum anual do banco em Sintra.

Depois da antecipação na quinta-feira passada, na reunião de política monetária do banco, de que o programa de compra de ativos (vulgo quantitative easing, QE no acrónimo em inglês) vai terminar no final do ano, a atenção dos mercados tem estado virada para quando o BCE decidirá a primeira mexida nas taxas diretoras que estão em mínimos históricos desde março de 2016.

A mais recente reunião do BCE, realizada em Riga, na quinta-feira passada, decidiu clarificar a orientação futura sobre as taxas de juro transmitindo a “expectativa” dos banqueiros centrais do euro de que “as principais taxas de juros do BCE permanecerão nos níveis atuais, pelo menos até durante o verão de 2019”.

Apesar de Draghi se ter recusado a especificar com precisão a data, os mercados têm interpretado, positivamente, esta orientação como implicando que, até final do verão de 2019, não haverá mexidas. Uma das primeiras reações nos mercados foi o adiamento da expetativa de passagem para terreno positivo das taxas Euribor a 3 meses para junho de 2020, de acordo com os futuros daquelas taxas. Antes desta clarificação pelo BCE, o momento de viragem daquela taxa Euribor situava-se em março daquele ano.

Se necessário pode haver mais QE

Draghi recordou hoje em Sintra os pilares essenciais da política monetária “acomodatícia” que continua em curso, mesmo depois da antecipação de que o BCE terminará o programa de aquisição de ativos iniciado no quarto trimestre de 2014.

O BCE dispõe na sua “caixa de ferramentas” de três instrumentos: a gestão do programa de compra de ativos, que termina em dezembro, mas que foi prolongado por mais três meses do que o inicialmente previsto em final de setembro, ainda que com um volume mensal reduzido a metade do atual; a política de reinvestimento do capital recebido nas amortizações dos ativos que o BCE tem em carteira adquiridos desde o final de 2014 (e que somavam, em final de maio, já mais de €2,4 biliões); e a orientação futura sobre a gestão das taxas diretoras.

A própria antecipação do encerramento do QE no final do ano “está sujeita aos dados que se receberem [nos próximos meses] que confirmem a perspetiva de médio e longo prazo para a inflação”. O que significa que o BCE colocou uma salvaguarda na própria decisão de descontinuação do programa. “[As nossas decisões] incorporam elementos de contingência na nossa orientação futura”, frisou o presidente do banco central.

Em caso de necessidade, o programa é uma ferramenta a que o BCE pode sempre regressar. As palavras de Draghi em Sintra não podiam ser mais claras: “Além disso, o programa de compra de ativos [conhecido pelo acrónimo em inglês APP] pode sempre ser usado no caso de se materializarem contingências que não estejam atualmente previstas”.

Salários e preços, o tema deste ano

O Fórum de Sintra do BCE tem como tema, este ano, a relação entre os preços e os salários nas economias desenvolvidas e termina amanhã.

A este respeito, Draghi referiu que há sinais na zona euro de aumento dos salários em virtude dos novos acordos na Alemanha, França e Espanha. Mas essa dinâmica, a que se está assistir, não se traduz “mecanicamente em inflação mais elevada”.

Factores como a maior competição induzida pela globalização ou o papel do comércio electrónico podem anular o efeito da subida dos salários – mas, Draghi, acrescentou que “não há muita evidência que esses fatores tenham afetado a inflação na zona euro”.

  • Anúncio de Mário Draghi bem recebido pelos mercados

    O Banco Central Europeu anunciou esta quinta-feira o final do programa de compra de ativos, mas a descontinuação implicará um prolongamento das aquisições até final do ano, ainda que a um ritmo menor. As taxas não serão mexidas pelo menos até ao segundo semestre do próximo ano. O impacto imediato foi a inversão da subida dos juros da dívida na zona euro e das quedas nas bolsas