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PAC. Alemanha apoia países que exigem mais dinheiro para a agricultura

Julia Klöckner, ministra alemã da Agricultura, considera que o orçamento da Política Agrícola Comum (até 2027) está aquém das necessidades. Um apoio de peso aos países que exigem um reforço das verbas propostas por Bruxelas

Adam Berry

Portugal pode perder 500 milhões de euros no financiamento da Política Agrícola Comum até 2027. O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, formou um grupo de pressão para exigir mais dinheiro a Bruxelas e hoje ganhou uma aliada de peso: a sua colega alemã Julia Klöckner

A Alemanha considera que o orçamento da Política Agrícola Comum (PAC) está aquém das necessidades. O Expresso sabe que Julia Klöckner, ministra da Agricultura alemã, está solidária com o grupo de países que hoje se juntaram no Luxemburgo para fazer pressão sobre a Comissão, quanto às verbas a atribuir ao sector, para o período 2021/2027.

No que diz respeito a Portugal, Bruxelas propõe-se efetuar cortes nos apoios que implicam uma perda de 500 milhões de euros, face ao Quadro Comunitário ainda em vigor. Ou seja €7,6 mil milhões contra €8,1 mil milhões, com uma ligeira subida nos pagamentos diretos aos agricultores mas incluindo cortes nos subsídios ao investimento.

Capoulas Santos, ministro da Agricultura, disse ao Expresso que ainda decorre no Luxemburgo (em conselho de ministros da Agricultura) a discussão de um documento que hoje foi apresentado por um conjunto de 15 Estados-membros, incluindo Portugal, em que é exigido uma maior dotação orçamental para o sector.

Alemanha defende "posição mais construtiva"

O ministro português insiste que é necessário encontrar um ponto de equilíbrio entre os países que são contribuintes líquidos e os beneficiários líquidos – da PAC – que seja satisfatório para todos.

Explica que o grupo de 15 países (que arrancou com Portugal, Espanha e França) ganhou hoje mais cinco aliados e, para além destes, contou hoje com o apoio de peso da Alemanha, com a ministra Julia Klöckner a assumir publicamente que é necessário mais dinheiro para a PAC.

Para além disso, a responsável alemã defende que é necessária uma “posição mais construtiva” nas negociações que agora decorrem entre os vários países e a Comissão Europeia.

Recorde-se que até maio de 2019 – altura das eleições para o Parlamento Europeu - terão de ficar fechadas as negociações no que respeita ao próximo orçamento da Política Agrícola Comum (PAC).

Segue-se mais um ano de negociação das regras de aplicação da PAC, “que irão ser decisivas”, nota Capoulas Santos. O ministro admite que ao longo de todo o período negocial vai ter de haver cedências de parte a parte, mas com a certeza de que, a longo prazo, os apoios serão encaminhados para os agricultores “cada vez mais para os serviços ambientais que acabam por prestar à comunidade em geral”.

Internamente, o Governo tem sido acusado por quase todos os partidos da oposição de estar a ter uma posição frouxa na negociação das verbas da PAC com Bruxelas.