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Miguel Cadilhe desafia PSD a deixar de “assobiar para o lado” na causa do interior

"Não sei se o radicalismo das nossas propostas vai passar, depende também do PSD", afirmou Miguel Cadilhe

Ana Baião/Expresso

Para o economista e coordenador das políticas fiscais do Movimento pelo Interior, a defesa do interior deve ser uma das principais causas da social-democracia

O ex-ministro Miguel Cadilhe desafiou nesta segunda-feira, na Guarda, o PSD a deixar de "assobiar para o lado" sobre a causa do interior, considerando que este tema deve estar "na primeiríssima linha da social-democracia".

"Estamos a fazer uma reunião no interior. Se o PSD não desperta -- desculpe, dr. Negrão -, se o PSD continua nesta vaga de assobiar para o lado e adiar, adiar, adiar a grande causa do interior, muito mal irá a causa da social-democracia", afirmou o economista e antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva, numa intervenção nas jornadas parlamentares do PSD.

Para o economista e coordenador das políticas fiscais do Movimento pelo Interior, a defesa do interior deve ser uma das principais causas da social-democracia, incluindo neste conceito também uma parte do PS. "Não há uma causa tão difícil, tão nobre e tão exigente e tão esquecida e, por isso, o PSD fará muito bem se finalmente pegar na causa do interior e fizer disto uma matéria de grande reformismo", desafiou, num painel nas jornadas com o tema "Empresas e Coesão Territorial".

A propósito do encerramento de muitos balcões da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Cadilhe deixou uma sugestão ao grupo parlamentar do PSD. "A ideia de indemnizações compensatórias para balcões que, por razões económicas devam fechar, mas não devam fechar por razões sociais, isto deveria ser trabalhado", afirmou, defendendo que a medida poderia ser extensível a balcões de outros bancos que cumprissem uma função social relevante.

Admitindo que algumas das propostas do Movimento são "muito radicais", nomeadamente na área fiscal, o antigo governante manifestou incerteza sobre o respetivo futuro. "Não sei se o radicalismo das nossas propostas vai passar, depende também do PSD", afirmou, pedindo que, pelo menos, "não estraguem as medidas" apresentadas.

Miguel Cadilhe defendeu que se, pelo menos uma parte das 25 propostas apresentadas for acolhida, "proporcionarão a condição suficiente para o progresso do interior, para o interior deixar de o ser". "Há que criar condições para ao longo de dez anos, três legislaturas, as empresas virem para o interior, não apenas as pequenas, mas as que trazem tecnologia, competitividade e orgulho para o interior também", disse.

O outro orador do painel das jornadas, o antigo ministro da Economia Daniel Bessa elogiou de forma genérica -- embora com dúvidas sobre o seu sucesso - as propostas do Movimento pelo Interior, liderado por Álvaro Amaro, presidente da Câmara da Guarda, cidade onde decorrem as jornadas do PSD até terça-feira, e também presente na sessão.

Pelo contrário, Daniel Bessa criticou a medida atualmente em vigor, de redução do IRC para 12,5% para parte dos rendimentos das Pequenas e Médias Empresas que se fixem no interior, classificando-a como "uma anedota", própria de "um primeiro-ministro que acredita em vacas que voam".

Durante a sua intervenção, Miguel Cadilhe revelou incómodo com algum ruído de fundo na sala e chegou mesmo a calar-se por alguns segundos até que este parasse. "Não gosto de estar a ouvir conversas na sala", admoestou Cadilhe, momento que foi depois recuperado por Daniel Bessa, de forma irónica.

"Levo destas jornadas um momento que não esquecerei: a capacidade do dr. Miguel Cadilhe, não diria para silenciar o grupo parlamentar, mas pelo menos para o alinhar. A partir de hoje, eu acho que nenhum líder do grupo parlamentar do PSD deixará de o contactar para ver como isso se consegue", brincou, provocando risos na sala.

No final da sessão, o deputado do PSD e antigo presidente da Câmara do Fundão Manuel Frexes presenteou os dois oradores com uma caixa de cerejas para cada um.