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Startup que cria blocos para construção com dióxido de carbono distinguida no Porto

Em segundo lugar, com um prémio de cinco mil euros, ficou a 'startup' Spawnfoam, que cria biocompósitos renováveis, biodegradáveis e mulgifacetados

Uma 'startup' que está a desenvolver blocos para construção civil com recurso a resíduos industrias e a dióxido de carbono venceu nesta quinta-feira a final nacional da ClimateLaunchpad, uma competição tecnológica promovida pela Comissão Europeia, que decorreu no Porto.

A final nacional da ClimateLaunchpad, um concurso que apoia ideias inovadoras com vista à redução do impacto ambiental, decorreu no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC), uma das entidades que, há três anos, organiza a competição nível nacional, em conjunto com a Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI).

"Atualmente, somos completamente dependentes do cimento, que utiliza como matéria prima recursos naturais, sendo extremamente poluente, devido ao seu processo produtivo", disse à agência Lusa Pedro Humbert, um dos fundadores da 'startup' (empresa de base tecnológica em fase desenvolvimento) Eco2Blocks, vencedora desta edição. De acordo com o engenheiro civil, os blocos para construção civil que estão a desenvolver "representam o primeiro passo na substituição do cimento por resíduos, em aplicações pré-fabricadas", podendo ser utilizados em todos tipos de obras.

Pedro Humbert, que neste momento está a realizar o doutoramento na Universidade da Beira Interior (UBI), explicou que os blocos são produzidos com resíduos industriais - maioritariamente escórias produzidas pela Siderurgia Nacional - e dióxido de carbono, através de uma tecnologia que possui filtros para acumular esse composto químico.
Através desta solução, é possível reduzir a produção de cimento e, consequentemente, o consumo de recursos naturais, "diminuindo sensivelmente as emissões de dióxido de carbono para atmosfera", bem como diminuir a utilização de recursos naturais, esclareceu o fundador.

Pedro Humbert referiu que esta solução permite igualmente reduzir a utilização de água potável na indústria da construção civil, uma vez que podem ser usados os resíduos de água. "Além de 100% reciclado, e com um processo de fabricação extremamente mais rápido, estes blocos têm uma durabilidade maior, cor preta e homogénea, resistência ao fogo, isolamento térmico, sendo até 45% mais acessível em termos económicos do que o bloco de cimento comum", acrescentou.

Em segundo lugar, com um prémio de cinco mil euros, ficou a 'startup' Spawnfoam, que cria biocompósitos renováveis, biodegradáveis e mulgifacetados, resultantes da junção de resíduos orgánicos, agroflorestais e fungos, com diferentes aplicações.

A terceira finalista foi a 'startup' Cyanocare, que desenvolveu um polímero produzido por uma cianobactéria marinha para aplicar em produtos cosméticos, à qual foi atribuído um prémio de 2.500 euros.
Na final nacional da competição mundial de ideias 'cleantech', além destes três, foram apresentados outros projetos, como sensores para recolha de dados de poluição, ruído ou chuva, um sistema de compostagem com minhocas para a agricultura urbana e uma solução para monitorização de energia fotovoltaica.

Um sistema de gestão de água balneares, uma plataforma de previsão de clima direcionada para negócios e um recipiente moldável que pretende substituir as embalagens de plástico, foram outras das propostas.
Os três projetos hoje distinguidos vão representar Portugal na final europeia do concurso, que decorre entre 01 e 02 de novembro, na Escócia.

Na edição de 2017 desta competição mundial, foi atribuído o prémio 'Urban Transitions' à tecnologia portuguesa Pavnext, que pode ser aplicada na superfície de pavimentos rodoviários de forma a extrair energia cinética aos veículos e transformá-la em energia elétrica. Esta tecnologia possibilita, igualmente, a redução da velocidade de circulação, sem qualquer ação dos condutores e sem induzir impacto nos veículos, aumentando, assim, a segurança rodoviária.