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57% das mulheres em Portugal estudam ciência

A OCDE coloca Portugal no topo da lista dos países com mais mulheres em cursos científicos

FOTO RUI DUARTE SILVA

O país é líder da OCDE no número de mulheres em cursos científicos

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Portugal lidera a lista de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com maior número de mulheres a frequentar o ensino superior nos designados cursos STEM (Ciências, Tecnologias, Engenharia e Matemática) e com ambições de carreira nestas áreas. Segundo as contas da OCDE, são já 57% as mulheres a estudar estas matérias nas universidades nacionais. A percentagem supera em muito a média de 39% apurada entre os países da OCDE. Mas a análise destes números está longe de ser linear. Se há motivos para celebrar uma maior presença feminina nos cursos de ciências, engenharia e matemática, nas tecnologias de informação e comunicação as mulheres continuam a estar em menor número. Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, diz que “temos um bom trabalho feito, mas não chega. Ainda há um longo caminho a percorrer nesta matéria”.

Mas há motivos para celebrar. Não só o país está a conseguir atrair um número crescente de mulheres para cursos de grande empregabilidade e que antes eram reconhecidos como “tipicamente masculinos”, caminhando para a tão desejada paridade de géneros, como se encontra em primeiro lugar da lista, empurrando para o meio da tabela países como os Estados Unidos, Alemanha ou França.

Para o ministro Manuel Heitor, as conclusões da OCDE no estudo “The Pursuit of Gender Equality”, que analisa a paridade de géneros nos países em várias vertentes, “deixam claro o reconhecimento internacional que Portugal tem hoje nas áreas das ciências e tecnologias e que é fruto de um trabalho realizado ao longo dos últimos 20 anos em programas como o Ciência Viva”.

Apesar disso, o membro do Executivo reconhece que a batalha pela crescente qualificação dos portugueses e a captação de um maior número de mulheres para as áreas STEM ainda não está concluída nas suas várias frentes. “Se é verdade que nos cursos superiores de ciências Portugal tem mais mulheres do que a maioria dos países, e até nas engenharias já há especialidade de clara prevalência feminina, o mesmo não sucede nas tecnologias de informação, onde a desigualdade de géneros ainda é grande”, afirma o ministro. Manuel Heitor dá como exemplo as áreas do digital, onde as mulheres, garante, “ainda continuam sub-representadas nas universidades e nas empresas em Portugal”.

Uma sub-representação que é maior à medida que caminhamos para cargos de topo. “As empresas em Portugal ainda limitam o acesso das mulheres a posições de liderança e a oportunidades de desenvolvimento de carreira”, reconhece.

Só quatro em cada dez 
chegam ao superior

Ainda que admita a importância de dar continuidade à política de atração de mulheres para estas áreas e o investimento contínuo no desenvolvimento de competências STEM, pelo potencial de empregabilidade que demonstram, Manuel Heitor não tem dúvidas de que a batalha nacional está longe de se resumir à paridade de géneros no ensino superior. “A grande batalha que temos de travar é a de alargar o acesso ao ensino superior a todos”, explica, relembrando que “só quatro em cada dez jovens chegam às universidades em Portugal, e aumentar este rácio deve ser a grande prioridade”.

No ano passado, o relatório “Education at a Glance 2017”, também da OCDE, já alertava para este problema ao referir que 31% dos adultos portugueses, entre os 25 e os 30 anos, não possuíam o 10º ano concluído. Uma percentagem que é o dobro da apurada na média dos países da OCDE. Nas gerações mais velhas, entre os 25 e os 64 anos, sobe para 53% a percentagem dos que não têm o ensino secundário. Em 2016 (dados considerados pela OCDE no relatório), só 24% da população adulta portuguesa (entre os 25 e os 64 anos) tinha formação superior. A média dos países da OCDE era de 37%. Esmiuçando os dados, percebemos ainda que só 15% dos universitários portugueses frequentavam mestrados integrados (com duração mínima de cinco anos).

O “Education at a Glance” do último ano já dava conta dos progressos nacionais na presença de mulheres nos cursos STEM, mas referia que no caso específico das tecnologias de informação a desigualdade era por demais evidente. O estudo sustentava o aumento nacional do número de diplomados nas áreas STEM com uma maior percentagem de licenciados em Engenharia, já que as Tecnologias de Informação e Comunicação registavam no último ano em Portugal uma das mais baixas taxas de diplomados entre os países da OCDE: 1%.