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Airbnb garante ter solução para resolver em Portugal problema dos condomínios

Horacio Villalobos - Corbis/GETTY

Portugal pode ser o primeiro país na Europa a implementar a proposta, “se essa for a vontade do Governo”

Conceição Antunes

Conceição Antunes

em São Francisco (a jornalista viajou a convite da Airbnb)

Jornalista

A Airbnb, plataforma mundial de reservas em casas e apartamentos privados, está a acompanhar "com atenção" o processo de revisão da lei do alojamento local em Portugal, um dos seus mercados de crescimento mais rápido, e garante ter aqui uma melhor solução face à questão da autorização dos condomínios que está atualmente em discussão – adiantou ao Expresso Chris Lehane, diretor de política global da Airbnb, no anúncio da nova estratégia da empresa em São Francisco, cidade americana onde se localiza a sua sede.

"É difícil pôr os vizinhos a dizer a outros vizinhos o que devem ou não fazer, só isso também é um problema porque envolve assuntos privados e pode levar a grandes tensões", frisou Chris Lehane, para quem assentar uma lei nacional sobre alojamento privado na autorização dos outros condóminos está longe de ser a melhor solução.

"Atrás dos problemas com vizinhos está o facto de estes serem negativamente afetados por haver hóspedes que não se sabem comportar, fazem barulho e festas o tempo todo", referiu o responsável da Airbnb. "Não queremos que os vizinhos sejam prejudicados por hóspedes que não se sabem comportar, e por isso criámos uma ferramenta que torna fácil ao Governo retirar as casas da plataforma se houver muitas queixas".

Chesnot/Getty Images

Casa retirada da plataforma a partir de três queixas por ano

A Airbnb já tem esta funcionalidade disponível em várias cidades americanas, como Chicago ou New Orleans, em que "os próprios vizinhos podem queixar-se do barulho ou outros problemas no nosso website, e a partir de três queixas num ano o Governo de Chicago fala connosco e a casa é imediatamente retirada da plataforma", explica Chris Lehane.

"Já trabalhamos assim em várias cidades americanas, na Europa nunca houve muito interesse nisto e Portugal poderá ser o primeiro país onde o podemos vir a fazer", adiantou o diretor global de políticas da Airbnb. "Mas para pôr isso em prática tipicamente precisamos do Governo a trabalhar connosco e a dizer onde há queixas. E funciona, porque as pessoas são incentiva das a comportarem-se. Não quero falar pelo Governo português, mas nós podemos fazer isso e estamos disponíveis para falar sobre o assunto, se for necessário".

A Airbnb mostrou-se igualmente aberta a contribuir juntamente com os hotéis nas taxas turísticas lançadas em Lisboa desde maio de 2016 (um euro por dormida), e desde então já entregou à cidade mais de 5 milhões de euros em taxas. "Entendemos que a comunidade Airbnb deve pagar todas as taxas que são justas. Os nossos viajantes não vêm em grandes autocarros, procuram experiências autênticas e com os locais. Quando há sítios na Europa preocupados com turismo de massas, nós realmente achamos que temos um conceito mais sustentável e que somos parte da solução", sublinha.

Chris Lehane, que já ocupou vários cargos no governo americano, incluindo o de secretário de imprensa do vice-presidente Al Gore ou de assistente especial do presidente Bill Clinton, e é casado com uma advogado de Direitos Humanos, adianta que nos últimos três anos já trabalhou "em mais de 400 parcerias regulatórias em diversos sítios na Europa, com os Governos de Madrid, Barcelona ou Londres, porque estamos no mercado com uma visão de longo prazo".

No caso de Portugal, onde está na calha a revisão do diploma do alojamento local, "também queremos trabalhar com o Governo para isto funcionar o melhor possível. Portugal é um mercado muito importante para a Airbnb, também por ter das mais altas taxas do mundo na avaliação da satisfação dos clientes. Os portugueses gostam de receber, são anfitriões por natureza, e os hóspedes passam realmente um bom tempo em Portugal".

A jornalista viajou a convite da Airbnb