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Sem a T.S.F. de Famalicão não havia perfumes nos frascos da Dior e da Chanel

Liderada por Pedro Sousa (à esquerda) e Fernando Moreira, a T.S.F. cresceu 36% desde 2013

Rui Duarte Silva

Empresa está a investir €4 milhões e quer marcar a diferença na oferta, da perfumaria ao nuclear

Na T.S.F. — Metalúrgica de Precisão, 2018 é o ano de arranque de um investimento de €4 milhões para aumentar a capacidade de produção e alargar a sua oferta. “Crescer significa investir continuamente em ferramentas, em tecnologia, em equipamentos cada vez maiores para fazermos o que os outros não conseguem fazer”, justifica Pedro Sousa, administrador desta empresa de Famalicão que junta na sua carteira de clientes indústrias tão diferentes como a nuclear, aeronáutica, alimentar ou perfumaria.

Como? As máquinas que enchem os frascos de perfume da Dior, Chanel ou Christian Lacroix saem daqui. A empresa faz, também, válvulas para centrais que produzem eletricidade a partir de energia nuclear, faz peças para máquinas da indústria alimentar como aquelas em que entra o granulado de plástico e sai uma embalagem de iogurte, produz ferramentas para a montagem de peças nos aviões. As suas competências servem, ainda, as máquinas que fazem pneus ou caixas de cartão e o negócio dos armazéns automáticos.

O limite da oferta está nos oito metros de comprimentos e três metros de largura. O objetivo é fazer peças cada vez maiores, de uma só vez, trabalhar “de forma mais rápida, com maior precisão e ganhos de produtividade”. “Sabemos que a concorrência nas peças pequeninas é grande. Nós não queremos ir por aí”, explica o administrador.

Neste caso, a concorrência está na Polónia, República Checa e Bulgária. Mas Portugal tem alguns trunfos quando vai a jogo. A experiência mostrou à T.S.F. que as vantagens lusas neste negócio passam, essencialmente, pelas competências linguísticas, a abertura para resolver problemas, a flexibilidade, o respeito pelos prazos de entrega. E ser competitivo significa, também, ter as máquinas mais versáteis do mercado, trabalhar o ferro com precisão milimétrica, cumprir prazos de entrega, tratar os clientes como parceiros de longo prazo.

A regra é a transparência, na produção e nas contas. “Se numa feira internacional nos perguntam se fazemos alguma coisa em concreto e o potencial cliente é interessante, não dizemos apenas que sim. Tratamos de agendar de imediato uma visita às nossas instalações na semana seguinte para verem o que se faz e como se faz”, garante Pedro Sousa, a preparar a ampliação da oficina, de 4 mil metros quadrados para 6500.

Foi assim que a empresa conquistou marcas de referências da perfumaria francesa, juntou a essas insígnias nomes como a Airbus, Tefal, Bosch, Michelin, Velan, Areva, Consoveyo, Bobst ou Cern — Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear.

A primeira máquina

Nesta metalúrgica, o foco está na produção e não no desenvolvimento da solução. Por isso, esta é uma empresa “dedicada à prestação de serviços”. A tendência, diz Pedro Sousa, é haver cada vez mais gabinetes de estudo onde os clientes entregam o problema. Estes gabinetes desenvolvem a solução e, só depois, entra em cena quem produz, o que significa, muitas vezes, trabalhar em diálogo, “ajudar a encontrar a melhor solução”.

Toda a produção é dedicada a peças únicas, a máquinas especiais, a pequenas séries até 40 unidades. Assim, a T.S.F. faz alguns trabalhos para o sector automóvel, mas só na fase dos protótipos.

No sector metalúrgico, o mais exportador da economia nacional, a empresa está presente há 22 anos, desde que os três sócios fundadores, Tomé, Sousa e Fernando juntaram as iniciais dos seus nomes para lançar a T.S.F., em Trofa. Desde então, a história é de crescimento, com algumas alterações na estrutura acionista. Um dos sócios sai em 2005. Francisco Sousa, o pai de Pedro, fica com esta quota, distribui-a pelos dois filhos e prepara a saída da empresa. Pedro entra em 2007, a tempo inteiro. A T.S.F. muda para Famalicão dois anos depois, para responder à dinâmica de crescimento. O irmão Paulo, também acionista, trabalha noutra área, com negócios ligados às telecomunicações e energia.

Hoje, Fernando Moreira, o único fundador que continua no ativo na T.S.F., responde pela área técnica. Pedro tem o pelouro financeiro. Juntos, são os comerciais da empresa, o que significa que passam muito tempo longe de Famalicão. O mercado está concentrado na Europa, com destaque para França, que tem uma quota de 60% nas vendas, seguida da Alemanha (20%). As centrais nucleares alimentam 30% do negócio.

Medido em vendas, o crescimento passou os 36% desde 2013, com a empresa a atingir um volume de negócios de €6 milhões em 2017. No emprego, a subida foi de 32%, para os 90 trabalhadores, número que a T.S.F. quer aumentar no curto prazo, apesar de admitir dificuldades na contratação de mão de obra especializada.

Na carteira de projetos, uma das novidades é a parceria na área de Investigação e Desenvolvimento com o INEGI — Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial para fazer uma máquina que solda por fricção de materiais diferentes, como o titânio e alumínio. Será a primeira máquina criada pela empresa.