Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Autoeuropa. Uma instabilidade que vale 1% do PIB

Nuno Botelho

Dificuldade em fechar acordo entre trabalhadores e administração traz riscos de deslocalização de parte da produção do T-Roc

A incerteza em relação àquele que é o maior investimento estrangeiro em Portugal, a fábrica da Volkswagen (VW) em Palmela, vai derramar para 2018. O aumento da produção do modelo T-Roc, a par de outros (novo Polo, VW Tiguan e Seat Arona), obrigou à interrupção da produção da Autoeuropa por quatro dias. “Os volumes de produção são pensados antecipadamente, mas às vezes há problemas com os fornecedores, que não conseguem cumprir o estipulado”, explica ao Expresso João Delgado, diretor de comunicação da VW Autoeuropa, realçando que a produção será retomada terça-feira, 2 de janeiro. “Quebras no fornecimento de peças são comuns na indústria automóvel.”

A expetativa de vendas para este modelo produzido exclusivamente na fábrica de Palmela aumentou face às previsões iniciais, o que obrigou a um novo planeamento produtivo para assegurar as novas metas. O objetivo é que o T-Roc seja responsável por 24% das exportações da fábrica e que se produzam 240 mil unidades por ano, o triplo face a 2016, com um impacto estimado de 1% no PIB nacional . Além de ter obrigado a um investimento de €600 milhões e à contratação de mais de dois mil funcionários (atualmente são cinco mil), o aumento da produção do utilitário desportivo levou a alterar horários laborais para garantir três turnos diários e trabalho extraordinário ao sábado, impostos pela administração na sequência da incapacidade de chegar a acordo com os trabalhadores.

Nova greve e reivindicações

As alterações laborais são contestadas pelos trabalhadores da empresa, que aprovaram recentemente uma proposta para uma nova greve, a 2 e 3 de fevereiro. Durante os plenários foi também apresentado um caderno reivindicativo com 24 pontos, que inclui questões como redução dos prazos para progressão na carreira e para a idade da reforma, a existência de uma creche a funcionar 24h e uma proposta de aumentos salariais de 6,5%, retroativos a outubro de 2017 e com um valor mínimo de €50. A moção, aprovada em plenário de trabalhadores, será apresentada à administração “no início de janeiro”, diz João Delgado. Mas a Autoeuropa não adianta que exigências irá acomodar. “Na altura responderemos. Seria prematuro avançar agora com uma resposta.”

Até lá, a incerteza continua a pairar sobre Palmela e a produção dos T-Roc, podendo igualmente afetar outras empresas portuguesas que fabricam componentes para a indústria automóvel e estão dependentes da Autoeuropa. A VW já acautelou o seu futuro para o caso de o impasse nas negociações se manter, sinalizando outras fábricas do grupo como alternativas à produção do utilitário desportivo.