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Lena reconstrói 40 estradas no Equador

Construtora reforça carteira e reestrutura dívida

Joaquim Paulo, presidente da Lena, diz que a confiança dos clientes permitiu resistir às adversidades

Joaquim Paulo, presidente da Lena, diz que a confiança dos clientes permitiu resistir às adversidades

Num momento em que negoceia com a banca juros mais baixos e a extensão por 10 anos do prazo de vencimento da dívida de €600 milhões, a Lena Engenharia beneficia de novas empreitadas que reforçam a sua carteira de obras em €355 milhões.

O principal contrato traduz uma estreia no Equador e conta com financiamento de uma fundação privada sediada no México. Venezuela e Angola figuram também na lista de novas adjudicações. A construtora tem-se debatido, em mercados como a Argélia, com o percalço das garantias bancárias que levam a atrasos de execução de obras. Há países em que consegue obter garantias da banca local.

O Equador, juntamente com a Colômbia, foi um dos mercados da América Latina que a construtora colocara sob escrutínio. A oportunidade chega agora sob a forma de empreitada para recuperar uma rede de 40 estradas (375 km) na província de Esmeraldas, destruídas pelo sismo de 2016. O cliente é o governo provincial, mas quem paga é um fundo ligado a uma fundação privada, de promotores americanos. É um contrato de 299 milhões de dólares (€255 milhões) que está pronto a assinar. A Lena acredita que ainda em 2017 acontecerá a consignação da obra.

Nova lança na Venezuela

A norte do Equador, na Venezuela, é uma obra no sector do ambiente que reforça a exposição ao mercado local. A reconstrução e otimização de uma grande estação de tratamento para a empresa estatal Hidroven é de financiamento internacional. No caso, o CAF-Banco de Desenvolvimento de América Latina, participado por 19 países (entre os quais Espanha e Portugal) e 14 bancos da região. A Lena já recebeu um adiantamento por conta do contrato €70 milhões.

A nova empreitada prova “que fizemos bem em não desistir, apesar das dificuldades de liquidez do país”, diz Joaquim Paulo Conceição, o presidente executivo do grupo. A administração já não incluiu na carteira o contributo da segunda fase da Misión Vivienda, a operação imobiliária de casas sociais. O primeiro lote prossegue a baixa velocidade. Este mês a Lena entregará ao Estado venezuelano mais 600 casas do contrato global de 12.500 (€830 milhões). Em média, a construtora fatura por mês €3 milhões ao Estado. A empreitada “já deveria ter terminado mas vai a meio do percurso”.

No México, a construtora estreara-se há dois anos com a remodelação de um estádio de futebol na cidade de Neza que recebera o Mundial de 1986 e a reabilitação de um aterro sanitário de 32 hectares na capital (€30 milhões no total).

No continente africano, é Angola que brilha no fim de 2017. A execução de duas redes de distribuição de águia (Moxico e Kwanza Sul) para o ministério da Energia representam €30 milhões. O financiamento recorre a obrigações em euros. A Lena já entregou as garantias bancárias e só falta receber o primeiro pagamento para iniciar os trabalhos. Tal como na Venezuela, em Angola o drama é a exportação de divisas. A solução é adequar o ritmo das obras aos pagamentos e arriscar nas empreitadas com financiamento internacional. A operação de Angola “é autossustentável e liberta dinheiro”, diz Joaquim Paulo. Em Luanda, a Lena veste a pele de promotor imobiliário aplicando €15 milhões num projeto residencial no bairro de Alvalade. Em Moçambique, já este ano ganhara a construção por €17 milhões da assembleia provincial de Cabo Delgado.

Nova agenda financeira

Na nova agenda financeira, a reestruturação da dívida é a peça central, mas a alienação este mês, a meias com a MSF, da Autoestradas do Oeste (dona de 50% das Autoestradas do Atlântico e 65% das Autoestradas do Litoral Oeste) é suplemento de alma revigorante. A operação de €200 milhões, incluindo a dívida de €100 milhões, reforça a tesouraria sedenta de liquidez de uma empresa “sem acesso há dois anos de crédito bancário”. A emissão de garantias, que além da Argélia condiciona uma obra relevante na Cidade do Kuwait, fica facilitada.

Ocupando o quarto lugar no ranking, a Lena atravessa o vendaval que se abateu sobre o sector, carregando a mochila da ‘Operação Marquês’. Neste processo, surge associada a José Sócrates na empreitada na Venezuela e contratos da Parque Escolar. Alguns dos sete contratos com a Parque Escolar geraram litigância e o acerto de contas seguiu para tribunal arbitral. Joaquim Paulo reconhece que a ligação afetou “a imagem e desempenho” do grupo. A confiança de clientes e parceiros permitiu resistir às adversidades. “Tivemos de ser mais eficazes na angariação de negócios pelo esforço redobrado das equipas”, diz o presidente da construtora.