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Altice: Paulo Neves sai da PT, Alexandre Fonseca confirmado como presidente executivo

Paulo Neves vai deixar a PT

TIAGO PETINGA/LUSA

Grupo Altice confirma alterações na sua administração, referindo que, desta forma, "reforça os compromissos oportunamente assumidos com Portugal, em particular, a clara e inequívoca aposta na aquisição da Media Capital". Alexandre Fonseca substitui Cláudia Goya na presidência executiva; esta substitui Paulo Neves na presidência do conselho de administração; e este sai do grupo.

Pedro Lima

Pedro Lima

Editor-adjunto

Paulo Neves vai sair da PT, confirmou o grupo Altice através de um comunicado. O gestor, que em 2015 sucedeu a Armando Pereira (acionista fundador da Altice) na presidência da PT/Meo, deixa de ser presidente do conselho de administração, cargo que assumiu em fevereiro de 2017. É substituído por Cláudia Goya, que deixa assim a presidência executiva, que agora é ocupada por Alexandre Fonseca, "com efeito imediato", diz a Altice.

As mudanças sucedem-se a um ritmo acelerado. Depois de Michel Combes ter deixado de liderar a Altice, a 10 de novembro, foi desencadeado um processo de mudanças no grupo controlado por Patrick Drahi que está a afetar a gestão da operadora portuguesa. Na segunda-feira soube-se que Cláudia Goya vai deixar a presidência executiva da PT. E esta terça-feira foi confirmada a sua substituição por Alexandre Fonseca, quadro do grupo Altice há cerca de uma década, assim como a saída de Paulo Neves.

Alexandre Fonseca ocupava o cargo de Chief Technology Officer (CTO) da PT. A Altice refere que é "o rosto da execução do projeto de infraestruturação em fibra ótica que em dois anos já cobriu mais de 4 milhões de casas em Portugal, recorrendo a tecnologia quase 100% portuguesa, bem como sob o seu comando, mais de 650 engenheiros portugueses, na Altice Labs, têm criado e levado a tecnologia nacional a quase 40 países em todo o mundo". É agora substituído por Luís Alveirinho, até aqui diretor de engenharia e operações de rede.

Paulo Neves tinha passado pela Oni antes de vir para a PT, e nunca teve um perfil muito ativo na gestão do antigo operador histórico português. Atualmente tinha a seu cargo o dossiê da compra da Media Capital, dona da TVI. Uma operação que aguarda a aprovação da Autoridade da Concorrência. A Altice mantém o interesse na Media Capital, apesar de estar neste momento a fazer marcha atrás nos processos de aquisição, e com uma estratégia mais focada na redução da dívida.

A Altice diz que as mudanças ocorrem "de acordo com a reorganização do grupo recentemente anunciada, com uma nova estrutura de gestão e modelo de governance, reforçando assim os compromissos oportunamente assumidos com Portugal, em particular, a clara e inequívoca aposta na aquisição da Media Capital, processo que aguarda, serenamente, as decisões dos reguladores competentes".

Diz ainda, no comunicado enviado esta terça-feira à tarde, que "esta nova estrutura representa um retorno à organização inicial que fez crescer e credibilizou o grupo Altice no mundo".

Depois de na segunda-feira terem subido 5,19%, as ações da Altice voltaram às quedas esta terça-feira ao fecharem a sessão a perder 2,71%. Este mês tem sido negro para a dona da PT: na sequência da divulgação de resultados abaixo do esperado e da reestruturação do grupo, a empresa foi alvo de uma derrocada bolsista. Só no dia 2 de novembro a cotação afundou 22,5%. Desde o início do mês está a perder 48,8%.

(texto atualizado às 19h com o comunicado da Altice)