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Venda de casas faz disparar emprego no imobiliário

Luís Barra

No final de 2016 havia 40 mil pessoas a trabalhar na mediação imobiliária, mais 43% que no ano anterior

Alda Martins

O crescimento do mercado imobiliário está a gerar um aumento significativo no negócio da mediação como um todo. No último trimestre de 2015, havia 28 mil pessoas empregadas em atividades imobiliárias. Um ano depois, em 2016, este número disparou para 40 mil, um aumento de mais de 43%, tendo sido o sector que registou a maior subida de emprego em Portugal, segundo os dados da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). Ao Expresso, a associação revelou ainda que existem 5248 licenças ativas de mediação, entre o continente e as ilhas.

De facto, a amplitude máxima das licenças emitidas por ano, em 2015 (131), 2016 (120) e 2017 (164), só é comparável com os anos de 1998 (136) e de 1999 (160). E não há um ano da série em que tivessem sido emitidas tantas licenças como o atual, cerca de 127, em média.

O regresso ao mercado de algumas empresas mais pequenas e a necessidade de serviços mais especializados poderão justificar em parte os números, tanto de empregos como de novas licenças.

“A retoma económica, no mercado imobiliário em particular, fez com que novos operadores entrassem, mesmo os menos informados e estruturados, e a atribuição de novas licenças crescesse”, justifica ao Expresso Ricardo Sousa, presidente da Century 21 para Portugal e Espanha, que interpreta o crescimento como uma “correção de mercado”, face à “quebra significativa” nos anos da crise. “Alguns dos mediadores que saíram voltaram, mas o mercado voltará a consolidar”, acredita Ricardo Sousa. Isto porque, para o responsável, hoje, vender uma casa é “muito mais que mostrar, colocar uma placa ou um anúncio na internet”. Os clientes estão mais exigentes e para os conquistar “só é possível com uma estrutura bastante profissional, adaptada às necessidades de cada mercado e região”. Para isso é preciso formar os profissionais, razão pela qual a Century 21 atribui, no máximo, 16 a 18 licenças de franchising por ano para a abertura de novas lojas.

Lisboa, Porto e Faro lideram

Os dados do APEMIP mostram ainda que, desde 2013, Lisboa, Porto e Faro são os concelhos que aparecem mais destacados neste crescimento consolidado de licenciamentos para mediação imobiliária. Nos últimos 12 meses, na capital houve 444 novos licenciamentos para agências de mediação imobiliária, a Invicta chegou aos 180 e a sede de distrito algarvia atingiu os 134.

As cidades líderes são seguidas, bem de perto, por Braga (71) e Setúbal (100) em matéria de novos licenciamentos.

As maiores mediadoras a operarem em Portugal confirmam que o negócio está a crescer mais nestes distritos, embora a procura seja generalizada.

Nos casos de Setúbal e Braga, João Pedro Pereira, membro da comissão executiva da ERA Portugal, tem uma justificação para os números que vai além da “excelente” qualidade de vida: “Se há dois anos o crescimento do mercado imobiliário era apenas dentro das cidades, este ano temos verificado que o maior está nas regiões periféricas das grandes cidades.”

Setúbal e Braga são, por esta razão, cidades privilegiadas, porque oferecem uma excelente relação qualidade /preço, têm uma grande oferta cultural e estão ambas muito perto das duas maiores cidades em Portugal, sendo possível viver em Setúbal e trabalhar em Lisboa ou viver em Braga e trabalhar no Porto. Esta proposta de valor é muito atrativa para os portugueses.” A Era tem 29 agências nestes cinco distritos, sendo que 17 são em Lisboa.

E o polo tecnológico da Universidade do Minho tem também contribuído para colocar Braga no mapa. Já “o distrito de Setúbal sempre foi muito forte na mediação imobiliária. Além disso, os franceses descobriram Setúbal”, refere Ricardo Sousa.

De resto, a procura internacional é também um dos fatores que pode estar na origem do crescimento de licenciamentos para agências imobiliárias. “Despertou em muitos empreendedores a vontade de voltarem ao mercado”, acrescenta o CEO da Century 21.

Na RE/MAX Portugal, onde mais de 80% da faturação é proveniente de clientes com nacionalidade portuguesa, o crescimento é mais notório em Lisboa, mas, por exemplo, “no mês de julho tivemos um forte crescimento nas zonas de Almada (distrito) e Setúbal (concelho)”, diz João Ferrão, do departamento de marketing da imobiliária.

Em dois anos e meio, a RE/MAX abriu 50 agências nos cinco distritos, sendo que 2015 foi ano de maior crescimento, com destaque para 10 novas agências em Lisboa.

Os números da APEMIP estão espelhados também naquilo que as empresas faturam.

A RE/MAX em Portugal, que conta atualmente com 5606 consultores imobiliários, não disponibiliza o volume de negócios, mas João Ferrão, assegura que “o mês de julho foi o melhor mês, de sempre, da história” da empresa em Portugal. “Nas zonas de Faro, Braga e Setúbal a finalidade é casa própria, no caso de Lisboa e Porto é um misto de casa própria e investimento para alojamento local”, afirma.

A ERA Portugal também admite que, no período entre 2015 e 2017, aumentou “muito a faturação por agência e por colaborador” nas cidades mencionadas.

Até julho, a agência da marca com maior volume de negócios foi a da Expo/Portela, em Lisboa, mas o top 20 da ERA em 2017 é, até agora, constituído pelas agências da Grande Lisboa, Grande Porto, Algarve, Aveiro e região de Setúbal.

Na Century 21, a melhor unidade de 2017 é Albufeira, apesar de no top de vendas estarem também lojas da cidade de Lisboa e concelho de Almada (distrito de Setúbal). No primeiro semestre deste ano, a gigante francesa registou uma faturação de €14,9 milhões, o que representa um crescimento de 32%, em comparação com os €11,3 milhões alcançados no período homólogo do ano passado.