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Constâncio: política monetária do BCE tem “impacto positivo na redução da desigualdade”

Thomas Lohnes/Getty Images

As políticas monetárias expansionistas seguidas por Frankfurt contribuem para reduzir o desemprego, beneficiando sobretudo as famílias mais pobres, disse Vítor Constâncio esta terça-feira em Lisboa, numa apresentação inserida no Congresso Anual da European Economic Association, que está a decorrer em Lisboa

O tema da sessão, organizada pelo Banco Central Europeu, era sugestivo: "Desigualdade e o impacto distributivo das políticas macroeconómicas". E o painel desta sessão, inserida no 32º Congresso Anual da European Economic Association e do 70º Encontro Europeu da Econometric Society, também: entre outros oradores, estiveram presentes Vítor Constâncio, vice-presidente do Banco Central Europeu e ex-governador do Banco de Portugal; e Vítor Constâncio, atualmente no Fundo Monetário Internacional e ex-ministro das Finanças durante o governo de Pedro Passos Coelho.

Conclusões? Segundo Vítor Constâncio, "de uma perspetiva distributiva, o principal impacto da políticas monetárias expansionistas é sobre a redução do desemprego, com efeitos positivos na redução da desigualdade". Isto porque a redução do desemprego tem maior impacto para os mais pobres.

A apresentação de Constâncio, com base no trabalho de investigadores do BCE que analisaram as quatro maiores economia da zona euro (Alemanha, França, Espanha e Itália), destacou que o primeiro quintil - ou seja, as famílias com menores rendimentos - é o que mais beneficia em termos de rendimento dos efeitos da política monetária expansionista.

Em suma, os efeitos ddas políticas que estão a ser seguidas por Frankfurt têm impacto positivo na redução da desigualdade, mas "modesto", segundo o documento apresentado por Constâncio.

Mais ainda, este efeito pode ser apenas temporário, já que, segundo o vice-presidente do BCE, os fatores estruturais, como o desenvolvimento tecnológico, a inteligência artificial e a robotização, vão no sentido do agravamento da desigualdade.

FMI dedica próximo grande relatório ao tema da desigualdade

Quanto a Vítor Gaspar, revelou que o próximo relatório Fiscal Monitor, do Fundo Monetário Internacional (que avalia as políticas orçamentais), a publicar em outubro, será dedicado à desigualdade.

O foco será "como podem as políticas orçamentais contribuir para o crescimento inclusivo".

Isto porque, segundo a apresentação do ex-ministro das Finanças, para combater a desigualdade "o ênfase tem de estar em políticas que fomentem o crescimento inclusivo".

Nem Vítor Constâncio nem Vítor Gaspar fizeram qualquer referência ou comentário sobre a economia portuguesa.