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Novo Banco. Sindicato defende que só a nacionalização pode garantir postos de trabalho

Nuno Botelho

A “génese predadora, necrófaga e especulativa” do fundo de investimento Lone Star “não augura nada de bom para os trabalhadores”, considera o Sindicato da Atividade Financeira

O Sindicato da Atividade Financeira defendeu esta quarta-feira que só a nacionalização do Novo Banco pode garantir a continuidade dos postos de trabalho e reiterou a sua preocupação face às negociações entre aquela entidade e a Lone Star.

Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira (SinTAF), que esteve reunido na terça-feira com o conselho de administração do Novo Banco para apresentação da 2ª fase do plano de reestruturação, sublinhou que “só com a nacionalização se pode garantir a continuidade dos postos de trabalho, bem como a estabilidade da economia portuguesa”.

“Reiterámos junto da administração do NB [Novo Banco] a nossa preocupação face às negociações entre o Banco de Portugal (Sérgio Monteiro) e a Lone Star (Fundo de investimento) cuja atuação a nível mundial demonstra claramente a sua génese predadora, necrófaga e especulativa e não augura nada de bom para os trabalhadores, não havendo garantia de não aplicação de um novo plano de reestruturação”, salienta o sindicato na nota.

No entender do SinTAF, o Novo Banco, “pela sua dimensão, pelo apoio que pode dar às micro, pequenas e médias empresas e às famílias, devia manter-se sobre o controle público do Estado e colocado ao serviço do desenvolvimento económico do país e das famílias”.

Por isso, o sindicato adianta que vai “continuar a estar atento a todo o processo de reestruturação, sempre que estiverem em causa os direitos dos trabalhadores”.

O SINTAF lembra que até janeiro de 2017 saíram 1.142 trabalhadores, na continuidade do plano de reestruturação iniciado em 2016.

“O objetivo será a saída de mais 358 trabalhadores, prevendo-se que 150 a 200 sejam por reformas antecipadas”, indica o sindicato no comunicado.

“O Novo Banco já reduziu a sua rede comercial de 550 balcões para 537, com este plano de reestruturação irá reduzir mais 62 balcões, ficando a rede comercial com 475 agências”, é ainda referido.

O presidente do Novo Banco reuniu-se na terça-feira com a comissão de trabalhadores e com os sindicatos, informando-os do lançamento de um programa de rescisões voluntárias e outro de reformas antecipadas que visam a saída de 350 trabalhadores até junho.

Apesar de o programa - que arranca esta quarta-feira e termina a 10 de março - ser, como o nome indica, de rescisões voluntárias, o Novo Banco reservou-se o direito de ter a 'palavra final' sobre os candidatos, isto é, um trabalhador pode querer aderir e a administração pode impedi-lo de avançar com o processo.
Desde novembro de 2015, saíram do Novo Banco 1.142 trabalhadores (excluindo as operações internacionais) e, levando em conta as vendas - ainda não concretizadas do NB Ásia e do Banque Espírito Santo et de la Vénétie (França) -, o total eleva-se para 1.327 pessoas.

Quanto aos balcões, o Novo Banco precisa de encerrar mais 70 agências para cumprir o objetivo de ter 550 balcões na atividade doméstica no final da primeira metade do ano.