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Expresso

Sócrates na China

O primeiro embaixador

A milhares de quilómetros de distância, o nome Cristiano Ronaldo abre sorrisos em quem mal sabe falar uma palavra de inglês e pouco mais sabe de Portugal do que é a pátria do avançado do Manchester United. Sócrates devia tê-lo levado na comitiva.

E ao terceiro dia, uma certeza: há uma falha imperdoável na composição da vasta comitiva que acompanha José Sócrates à China. E uma dúvida: se o ministro tivesse apostado num certo convidado, não teria conseguido, com apenas um só português, escancarar as portas que, com os mais de setenta empresários que escolheu para o ajudarem a estreitar laços com a próxima superpotência mundial, apenas entreabriu?

A pergunta é absurda, claro. Mas não deixa de impressionar que, a milhares de quilómetros de distância da Europa, a simples menção do nome ‘Cristiano Ronaldo’ faça despontar sorrisos em quem mal fala uma palavra de inglês e pouco mais sabe de Portugal – talvez que, para além de ser a pátria do jogador do Manchester United, é também a de Luís Figo.

Uma camisola autografada pelo próprio (na terra-mãe da contrafacção, convém assegurar que se trata da ‘real thing’) foi a prenda que Laurentino Dias levou ao representante do Comité Olímpico Chinês, ontem de manhã. Causando sensação, não tanto no ofertado, mas num assessor que, mais tarde, enquanto acompanhava o secretário de Estado dos Desportos à porta, não se cansava de gabar as qualidades do número 17 da selecção.
Hoje, em Xangai, foi novamente à camisola de Ronaldo que Sócrates recorreu, desta vez para presentear o presidente da Ymeng, a empresa parceira da portuguesa Ydreams - que criou o jogo para telemóveis, ‘Underworld’, cujo herói é precisamente o avançado português.
Parece, pois, não haver melhor embaixador para os interesses portugueses a oriente do que a jovem estrela madeirense. E talvez por isso o Governo esteja tão empenhado em conseguir trazer à China a selecção A de futebol, se possível ainda este ano. Com tamanha popularidade no país, é de crer que Ronaldo pode pelo menos fazer tanto (ou mais) por Portugal como a cimeira China/UE que Sócrates tão empenhadamente veio preparar.

P.S. Correcção do postal anterior: Voltaram a confirmar-se as temperaturas negativas em Pequim. E, mesmo assim, Sócrates foi fazer o seu ‘jogging’ matinal. Só não levou calções, mas umas naturalmente mais quentes calças de fato-de-treino.