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Expresso

Sócrates na China

I’m in love with Xangai

A maior cidade da China tem uma arquitectura deslumbrante. E é o símbolo da energia explosiva do país: enquanto se prepara para ser anfitriã da Exposição Universal em 2010, cresce a um ritmo anual de 12%.

José Sócrates e a sua "ilustre comitiva" estiveram em Xangai pouco mais de 24 horas. O suficiente, ainda assim, para perceber, ao vivo e a cores, por que razão a cidade exerce um indesmentível fascínio sobre quem a visita. O ministro da Economia que, recém-chegado de um voo de 12 horas, dizia ver nas avenidas cinzentas de Pequim uma Madison Street "só que mais moderna e bonita", não resiste a nova comparação entre metrópoles: "Hong Kong era a minha cidade favorita. Mas Xangai é mais do que Hong Kong".

Não conheço Hong Kong. Mas conheço Manhattan. E Xangai é mais do que Manhattan. Os arranha-céus competem entre si pelo título do mais original, do mais provocador, do mais futurista. Xangai é imaginação a três dimensões. Um cenário de banda desenhada povoado por 20 milhões de personagens de carne e osso. Trânsito infernal, linhas de neons multicoloridos que percorrem fachadas de 300 metros de altura, prédios de 70 andares que coexistem, porta com porta, com edifícios de dois pisos de arquitectura importada de uma qualquer cidade média americana.

O desenvolvimento urbanístico da cidade processa-se a um ritmo tal que, diz quem a visita em anos consecutivos, se torna difícil reconhecer os pontos de referência das visitas anteriores. Em preparação acelerada da Expo 2010 – que ocupará, nas margens do rio Amarelo, uma área de 5,28 km2 que está a ser totalmente arrasada para dar lugar aos pavilhões dos (almejados) 200 países participantes num evento para o qual se espera atrair 70 milhões de visitantes –, Xangai é uma vertigem de obras públicas: o segundo terminal do novo aeroporto de Pudong, que deverá estar concluído no próximo ano, a tempo dos Jogos Olímpicos, prevê um crescimento do tráfego anual de passageiros e mercadorias na ordem dos 18%. As estatísticas oficiais dizem que a economia local cresce a um ritmo anual de 12%, dez vezes mais do que Portugal. O outro lado do mundo é, definitivamente, outro mundo.