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Picar o ponto em Milão

Desta vez o picar do ponto foi feito na cidade de Milão. (Começo a acostumar-me a estes «night-stops» e já começo a encaixar melhor nisso). Mal saímos do comboio íamos com a forte sensação que os italianos são enormemente antipáticos. Impressão ou contraste cultural, quisemos tirar a prova dos nove nessa mesma noite.

Banho tomado, jantar combinado entre massa e pizza e seguimos para a zona histórica de Milão para beber um copo num local interessante da cidade. Nenhum de nós a conhecia. A noite estava quente e convidava a passeios a pé ou a longas conversas de esplanada.

Chegados à Piazza Duomo, um lugar belíssimo cheio de vestígios da arquitectura romana, encontrámos uma comunidade de várias dezenas de italianos sentados no chão ou em degraus, de cerveja na mão, viola no colo, sorridentes, comunicativos, alguns até a dançarem a pares com a melodia dos batuques em fundo.

A troco de três euros bebemos uma cerveja e ficámos por instantes a usufruir daquele ambiente acolhedor e cinematográfico. Marcelo Mastroiani poderia perfeitamente ter protagonizado uma cena qualquer ali, com Federico Fellini a dirigi-lo detrás da câmara.

Depois da contemplação, decidimos romper a barreira da língua para meter conversa com uns rapazes que pintalgavam letras coloridas em cima de um enorme pano laranja estendido na calçada. Ficámos a saber que aquela criação artística de grupo constituía uma oferenda para um amigo que festejava o aniversário no dia seguinte.

É Octávio, um italiano de Palermo, a trabalhar em Milão como cenógrafo do «Teatro Alla Scala» quem nos confirma a suspeição do início. «Aqui as pessoas são, de facto, demasiado frias. Uma forma de estar típica das grandes cidades turísticas, com grande poderio económico. Venham conhecer Palermo! Não se vão arrepender...».

Quem sabe se não vamos para lá?...