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Inter-rail

O Jimmy de Amsterdão

Não foi fácil encontrar «Jimmy». Foi até um verdadeiro tormento. Após cerca de vinte horas sobre o carril, chegámos ao final da tarde à estação central de Amesterdão.

Estávamos exaustos e queríamos encontrar um hotel para deixar as mochilas e tomar um banho, antes de nos lançarmos à cidade para uma volta de reconhecimento. Fomos logo interpelados por duas raparigas húngaras que nos propuseram habitar um apartamento por €70 cada. Achámos a ideia tentadora e regateámos o preço para €60. O sorriso delas deixou-nos, por segundos, a imaginar-nos numa casa com cozinha, uma grande sala de estar, dois quartos, «quiçá» uma bela vista... Imagens de pouca dura.

Lembrámo-nos que tinhamos que pedir recibo para apresentar à contabilidade do EXPRESSO. Ora recibo era coisa que as moças não podiam dar-nos. Descartámos. Batemos à portas de dezenas de hotéis e hostais. Suámos em bica. Pedíamos o impossível para uma cidade que está a arrebentar pelas costuras com tantos turistas: Dois quartos «singles» com duche e casa de banho incluídos. Full, Full, Full, FULL.

Já fulos da vida com o peso das nossas tralhas a amassar-nos as costas há horas acabámos por encontrar Jimmy. Estava no centro, discretamente pousado junto a uma loja de roupa. A tabuleta azul denunciou-o: «Jimmy Hotel».

Subimos as vertiginosas escadas em caracol até ao primeiro andar e depositámos esperanças na roliça indiana da recepção. Meia hora de negociações, que meteram o dono ao barulho, e em que se soltaram todos os preços possíveis e imaginários.

Acabámos por ficar em dois quartos «singles», casa de banho incluída, a troco de €75. Uma espécie de espelunca, suja e descuidada, demasiado cara para o preço pedido, que nos pareceu perfeita naquele momento.

Pagámos adiantado três dias de pernoita porque acabamos aqui, na cidade de todos os vícios, a nossa reportagem sobre a rota do inter-rail. Escrevo este texto no computador de um cibercafé e, daqui a pouco, seguiremos de bicicleta para o hotel do grupo de portugueses que nos trouxe até este local.

A verdadeira história que nos levou a viajar até aqui será contada numa reportagem que poderão ler brevemente na Única. Façam uma viagem ate lá. Boas férias!