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Expresso

Inter-rail

A sociedade dos comilões

Ao acusarmos o cansaço da noite anterior, passada em branco e ao relento, tentámos fechar os olhos a bordo do comboio que nos levou até à impronunciável cidade Ancona, local onde parte o «ferry» para Patras, na Grécia.

Mais uma vez, local errado para um ripanço de algumas horas. Na mesma carruagem que nós, um grupo de miúdos italianos, na casa dos 18 anos, manifestava ruidosamente o seu contentamento por irem passar uma semana de férias à cidade de Rimini. Alegadamente um destino italiano de boas praias e discotecas.

Rendemo-nos às evidências e fomos ter com eles. Figo, Ronaldo – ou melhor Cristiano Ronaldo - Ricardo, Costinha, Vítor Baía, Pauleta foram os primeiros nomes de uma lista enorme que Andrea, o rapaz dos óculos Ray – Ban, desatou a soletrar mal soube da nossa proveniência.

Quando descobrem que somos jornalistas, decidem presentear-nos com uma canção. Uma canção que, pelo que percebi, celebra os prazeres dos comes e bebes que os jovens romanos, do século XXI, tanto apreciam e fazem gala em exibir: «La societá dei Magna Ccioni» (A sociedade dos comilões).

Não resisti a perguntar-lhes no final: «Vocês comem muito?». Respondem-me prontamente: «Sim. Mas é com o conceito de slow-food». Degustação, entenda-se.