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Inter-rail

A «Burrasca» do Senhor António

Decidimos jantar bem em Florença. Nove dias passaram desde o início desta aventura sobre carril e já acusamos o cansaço de tantas sandes, pizzas ou pratos insonsos que temos comido durante estes dias, a preços demasiados caros.

Um turista português, de rendimento médio, quando chega a Itália ou França fica com a bolsa esmagada com os preços proibitivos que se praticam no que toca a alimentação. É o caso da família Almeida, um casal de cinquentões e três filhos, com quem demos de caras mal chegámos à cidade italiana. Disseram-nos que trocaram os típicos destinos com areais e oceanos azuis turquesa por umas férias em Itália. «Mas isto é tudo muito caro. Nós só andamos a comer hamburguers que são à volta de três euros. Façam como nós». Mas nós não aceitámos o conselho dos nossos compatriotas.

Naquela noite estávamos com vontade de encontrar algo mais típico, familiar e saboroso. Queríamos uma TASCA, portanto. Improvisámos um trajecto ao acaso, ignorando as turísticas esplanadas, os restaurantes pomposos ou os quiosques de «fast-food».

Os nossos radares deram o alarme quando passámos por uma tabuleta que exibia em grandes letras «Restaurante Burrasca». Entrámos. O rosto bonacheirão do senhor António convenceu-nos logo.

Rugas de senhor do campo, sorriso catita, olhos azuis, grande bigode, bochechas vermelhuscas e uma grande simpatia para com a clientela. Estávamos bem entregues. Ao seu lado, Ana, a sua esposa, embora mais reservada também inspira confiança. «Para mim não é importante se comem muito ou não. O importante é se estão contentes!», disse-nos logo o homem da casa para nos deixar à-vontade.

Como primeiro prato optámos por um «Macacheroni dello Chef» (€5) e um Spaghetti alla Burrasca (€5) acompanhado de um jarro de vinho branco da casa. O Tiago entusiasmou-se e pediu logo para fotografar o senhor António na cozinha.

Por motivos óbvios não vale a pena tecer comentários «à Quitério», a destrinçar notas e paladares. Mas estava tudo muito saboroso. Talvez a melhor refeição que comemos durante esta viagem. Como segundo prato, e porque já estávamos algo cheios, dividimos um «Tnerone Stufato dello Chef», que traduzindo para bom português é «Carneiro estufado à moda do chefe» (€8). Como sobremesa: Tiramisú (€2) – a parte menos bem conseguida do menu. Despedimo-nos do senhor António e da dona Ana muito agradecidos pelo bom serão proporcionado: Arrivederci e Grazie!