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Expresso

Ici Paris

C'est fini!

Paris despediu-se com um sorriso. O sol apareceu. Mais um dia. Um dia comprido, que para mim só acabou à meia noite. Um dia cumprido, em que andamos de autocarro, metro, comboio, avião, táxi e carro.

Paris despediu-se com um sorriso. O sol apareceu. Mais um dia. Um dia comprido, que para mim só acabou à meia noite. Um dia cumprido, em que andamos de autocarro, metro, comboio, avião, táxi e carro.

Paris acordou com um sorriso no céu. Ao oitavo dia, o do regresso a casa, o sol resolveu aparecer, convidando-nos a trocar o metro pelo autocarro.

Apanhamos o 69 na Bastilha. Eu sai no Carroussel du Louvre, aproveitando o par de horas que tinha livre de manhã, para gastar neste pequeno centro comercial algum dinheiro em prendas nas lojas Nature & Découvertes, Résonances, Perigot, Virgin e livraria do museu  - onde comprei, por 45 euros, para o Tó Pê o livro que documenta todos os passos dos trabalhos de restauro e descodificação da Gioconda, que Dan Brown voltar a pôr na moda.

Enquanto eu me perdia neste pequeno desvairo consumista, o Tó Pê seguiu no 69 até ao fim da linha, no Champs de Mars. Foi à queijaria Cantin (12, Champs Mars) buscar o pequeno embrulho de queijos que o casal Maria-Anne Cantin e António Dias (o queijeiro do Eliseu) teve a gentileza de nos oferecer.

Apesar de a ter trazido meia vazia, mais uma vez tive de me sentar em cima da minha Samsonite para a conseguir fechar.

Como o voo estava marcado para as 17h05, em Orly, optamos por almoçar por perto, no La Bella Angela (56, Boulevard Beaumarchais). A ideia era irmos até ao Marais mas cedo reparei que aquilo que o Tó Pê queria realmente era ver as lojas de aparelhos fotográficos do bd Beaumarchais. Admirou, mas não comprou. Fiquei admirado.

Depois comeu um escalope com molho de parmesão, acompanhado por um copo de tinto italiano, enquanto eu optei pela pizza Bella Angela (com muita rúcola) e por um pichet 25 cl de rose. Ficou tudo por 50 euros e 50 cêntimos. Ou seja não foi barato.

Fizemos a digestão no caminho para o aeroporto. Metro até à Gare do Nord. Depois mudança para o RER B direcção Antony, que nos deixou junto ao Orlyval, o eficiente sistema de metro ligeiro que liga esta estação aos terminais Sud e Ouest.

O único problema é que nas carruagens não está afixada a informação das companhias que operam em cada terminal. Era uma aposta 50/50. Perdemos. Optamos pelo Sul. Afinal a TAP está no Oeste.

No «check in», confirmámos que tínhamos de meter na bagagem de porão as garrafas de champanhe que o amável Erick De Sousa nos ofereceu (chegaram vivas, graças a Deus).

No controlo de segurança fiquei a saber que o óleo de massagem que comprara de manhã na Résonances tinha de ir para o porão, com o meu saco de mão onde transportava as coisas mais frágeis. Tive, por isso, de regressar ao «check in».

O voo partiu e chegou a horas, aterrando na Portela às 18h20 locais programadas. O problema foi com a bagagem que demorou a aparecer no tapete rolante – e não apareceu toda. O saco que despachei à última hora em Orly não veio no mesmo voo que eu. Tive de apresentar a reclamação do costume.

Já eram quase oito de noite quando apanhamos o táxi (nas partidas, ambos detestamos os motoristas de táxis das chegadas da Portela). Deixei o Tó Pê em casa, na Praça do Chile, e segui no táxi até minha casa em S. João do Estoril, onde tinha deixado o carro (uma carrinha Fiat Marea, cor cinzento rato, de 2001).

Feito o transbordo das malas, guiei até ao Porto, a ouvir a RFM (que transmitia o concerto no casino Solverde em Vilamoura de Rui Veloso, tendo como convidados Mariza e os Cabeças no Ar) onde cheguei, realmente cansado, quando faltavam apenas 15 minutos para o dia acabar.

PS. A foto deste postal é do sede do PCF, na place Colonel Fabien, desenhada por Óscar Niemeyer e construída quando os comunistas franceses recolhiam mais de 20% dos votos e eram a locomotiva do Programa Comum com os socialistas, que haveria de conseguir eleger Mitterrand para o Eliseu.

Escolhi esta fotografia  não só por ser bela, mas ainda porque pisca cumplicemente o olho ao título do postal. «Le PCF est presque fini». As sondagens atribuem 3% de intenção de voto nas presidenciais de Abril à secretária geral comunista Marie George Buffet.

FIN