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Expresso

O Expresso no Festival de Veneza

Um grande senhor do cinema

Alain Resnais continua a praticar a modernidade, a mostrar sentimentos fortes, temperados pela ironia.

Já ultrapassou os 80 anos de idade – e anda a surpreender-nos há quase meio século. Alain Resnais, o homem que nos legou alguns títulos míticos do cinema moderno («O Ano Passado em Marienbad», «Hiroshima Meu Amor», «Providence»), tem a pele transparente como pergaminho, está um tanto duro de ouvido, mantém os olhos calmos e a palavra fluente – e, sobretudo, o prazer refinado da ficção em forma de filme.

«Coeurs», a fita que foi buscar a uma peça de Alan Ayckbourn («Private Fears in Public Places») é uma pérola das artes da representação, onde o estúdio irradia a magia de um criador de mundos, os actores parecem todos iluminados pelo prazer do verbo e as personagens lutam, desesperadamente, para fugir à solidão.

Resnais continua a praticar a modernidade, a mostrar sentimentos fortes, temperados pela ironia, a divertir-nos pela apresentação dos materiais com que se constrói o faz-de-conta.