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Expresso

O Expresso no Festival de Veneza

Quando um socialista salvou uma rainha

«The Queen», que estreará no Reino Unido dentro de pouco mais de uma semana, já é um dos favoritos para o Leão de Ouro neste Festival de Veneza.

Por uma vez, a montanha pariu... uma montanha: «The Queen» de Stephen Frears, talvez o mais aguardado, porque polémico, filme de Veneza/2006 é uma fita memorável.

Pela primeira vez, um cineasta atreve-se a pôr em cinema, como personagens principais de uma ficção documentada, a rainha Isabel II, o príncipe Filipe, o príncipe Carlos e Tony Blair num momento particularmente sensível – a semana em que Diana morreu e a coroa britânica, enclausurada em Balmoral, exprimia um alheamento que contrastava gritantemente com as manifestações massivas de dor da população britânica.

Mais do que nunca, a família real parecia distante do povo, no exacto instante em que Tony Blair, recém primeiro-ministro com uma maioria esmagadora, anunciava uma esperança de mudança. «The Queen» é a história de como um socialista moderno deu a mão a uma instituição obsoleta, aplanando um fosso que o autarcismo da Coroa teimava não ver.

O filme, que estreará no Reino Unido dentro de pouco mais de uma semana, já é um dos favoritos para o Leão de Ouro neste Festival de Veneza que lhe concedeu a primeira calorosa e sustentada ovação deste ano. Está certamente destinado ao sucesso.