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Expresso

O Expresso no Festival de Veneza

Lynch desilude

Fascinante, a espaços, mas arbitrário, grande parte do tempo, «INLAND EMPIRE» de David Lynch não teve no final da sessão de imprensa mais que magros aplausos e alguns sonoros apupos.

Nunca filas tão grandes se juntaram à porta das salas como as que se viram para as projecções de «INLAND EMPIRE» (assim mesmo, em maiúsculas, David Lynch faz questão). Quase três horas de duração, um enredo permanentemente em indecisão de lugar, tempo, veracidade, cobra a engolir a cauda, muito do que há a esperar, nestes dias, de um filme de Lynch está l᠖ mas é difícil sustentar que o autor de «Veludo Azul» não esteja apenas a gerir uma imagem de marca. Com uma agravante: escolhendo filmar em digital, perdido o esplendor cromático e a sumptuosidade fotográfica que sempre foram padrão do cineasta, Lynch propõe um filme glauco, às vezes no limite da luz, na fronteira da invisibilidade. Fascinante, a espaços, mas arbitrário, grande parte do tempo, não teve no final da sessão de imprensa mais que magros aplausos e alguns sonoros apupos. Do ponto de vista comercial parece ser muito difícil de viabilizar.

«INLAND EMPIRE» esteve em Veneza fora de competição, em estreia mundial absoluta, contrapartida para a homenagem que o festival lhe presta atribuindo-lhe o Leão de Ouro à Carreira.