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Expresso

Festival de Cinema de Berlim

Vitalidade germânica

A Alemanha deposita em «Yella», belíssimo filme de Christian Petzold, a sua esperança para o Urso de Ouro.

Em Yella estão todas as linhas de trabalho da nova cinematografia germânica: a juventude sem coordenadas, o olhar rigoroso e anti-sentimentalista, a falência da célula familiar contemporânea.

Quando escrevemos há uns tempos que o novo cinema alemão é a maior aventura na Europa deste início de século XXI, estamos a falar de filmes como este.

A Yella do título é uma mulher na casa dos trinta anos que quer deixar a sua pequena cidade natal e, sobretudo, um casamento falhado, monótono, sem futuro. O marido, com comportamentos de psicopata, persegue-a sem conseguir aceitar a separação. Um aparatoso desastre de automóvel, filmado de forma sublime, permite a Yella encontrar outra vida – mas aqui entramos também no território do drama psicológico, onde os gestos daquela mulher se confundem com os seus traumas e a realidade com uma visão do terror.

Em Yella, o quotidiano é banal e absurdo, parece um pesadelo de ficção científica e, apesar do paradoxo, é graças a esse efeito de cinema que o sentimos tão sincero e tão próximo dos dias de hoje. Só os espíritos mais conservadores ficarão surpreendidos se este filme chegar ao «Palmarés» do Festival, a anunciar no sábado à noite.

Em Beaufort, representação da cinematografia israelita, Joseph Cedar realiza um filme de guerra sediado na fortaleza libanesa com o mesmo nome. Beaufort foi também o nome de uma base militar do exército israelita durante a Guerra do Líbano, em 1982.

O filme passa-se no ano 2000, no momento em que Israel abandona a base, 18 anos depois. Acompanha-se as confissões e os sacrifícios dos soldados, todos eles muito jovens, à espera de uma retirada que, para eles, não faz sentido. Procura-se no tema nova perspectiva sobre um conflito militar entre os dois países que ainda há poucos meses se repetiu. O teatro sobre o absurdo da guerra é contudo demasiado confessional e metafórico. O modo como o filme se estrutura é também o seu limite.