Siga-nos

Perfil

Expresso

Festival de Cinema de Berlim

Filme sobre Edith Piaf inaugura esta noite a «Berlinale»

Edith Piaf, ou melhor, a história da sua vida, assume as honras de abertura do 57.º Festival de Cinema de Berlim. La Môme foi realizado por Olivier Dahan.

Depois da organização do Campeonato do Mundo de Futebol do ano passado, a Alemanha inaugura, hoje à noite, mais um grande evento internacional, o 57.º Festival de Cinema de Berlim, o maior do mundo em termos de público e um dos mais prestigiados ao lado de Cannes e Veneza. Berlim, como é hábito, assinala a «rentrée» cinematográfica do ano. O filme escolhido para abrir Berlim é uma grande produção francesa, La Môme. Tal como o título sugere, pois era essa a alcunha de Edith Piaf, La Môme é um filme biográfico dedicado à imortal cantora francesa. Foi realizado por Olivier Dahan, cineasta de 39 anos. Para além de Marion Cotillard, a corajosa actriz francesa de 31 anos que aceitou interpretar o papel de Piaf, estão no elenco Pascal Greggory, Gérard Depardieu, Emmanuelle Seigner e Sylvie Testud.

A luta pelo Urso de Ouro

Amanhã chegam os americanos num dos filmes mais promissores de Berlim, The Good German, último trabalho de Steven Soderbergh com George Clooney, Cate Blanchett e Tobey Maguire. Ao todo, na competição oficial, há 22 filmes a concurso pelo Urso de Ouro (nenhuma participação portuguesa este ano), 19 delas em estreia mundial.

Outro filme que vai chamar a atenção é The Good Shephard (O Bom Pastor), realizado e interpretado por Robert de Niro. Matt Damon lidera o elenco deste drama de época, passado no pós-II Guerra Mundial, no momento em que é fundada a Central Intelligence Agency (a famosa CIA). Chega às salas portuguesas no próximo dia 22.

Paul Schrader, famoso argumentista de Martin Scorsese, assume a presidência do Júri e Berlim exibe, naturalmente, fora de competição, o seu novo trabalho, The Walker. Também fora de competição está o fabuloso Cartas de Iwo Jima (estreia em Portugal na próxima quinta-feira), o último episódio do díptico de Clint Eastwood sobre a famosa batalha da II Guerra Mundial. Tal como As Bandeiras dos Nossos Pais, Cartas de Iwo Jima observa essa batalha, mas agora sob o ponto de vista dos militares japoneses.

A Alemanha tenta mais uma vez que o Urso de Ouro fique em casa e coloca na Competição Yella, de Christian Petzold, The Counterfeiters, de Stefan Ruzowitzky, e mais um punhado de co-produções europeias em que participa. Uma delas é Goodbye Bafana, de Bille August.

Já a França, além de La Môme, tem a concurso novos filmes de Jacques Rivette, François Ozon e André Téchiné, nomes bem conhecidos pelos espectadores portugueses.

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, produção brasileira realizada por Cao Hamburguer, e o argentino El Otro, segundo filme de Ariel Rotter, representam a América Latina.

Da Ásia, o filme chinês Lost in Beijing, de Li Yu, é o primeiro a causar polémica, ainda o Festival não começou. Após visionamento, as autoridades de Pequim comunicaram ao mundo que Lost in Beijing será censurado no país e a sua exibição proibida. Para Berlim isso pouco importa: o Festival mantém-se firme e vai mesmo exibir a obra. Também se aguarda com espectativa o regresso a Berlim do coreano Park-Chan-Wook, autor de Old Boy, filme que arrastou uma legião de fãs um pouco por todo o planeta. O novo trabalho chama-se I’m a Cyborg, but That’s OK.

A par da Competição, não se esquecem as duas excelentes secções «Panorama» e «Forum» e as suas apostas no cinema alternativo. Berlim exibe também uma retrospectiva da obra do cineasta americano Arthur Penn e um sugestivo ciclo intitulado «City Girls», em homenagem a grandes actrizes do cinema mudo.

O Expresso multimédia acompanhará a evolução do Festival até ao seu termo, no próximo dia 18.

 

SELECÇÃO OFICIAL DO 57.º FESTIVAL DE BERLIM

300, de Zack Snyder (Fora de Competição)

Angel, de François Ozon

Beaufort, de Joseph Cedar Bordertown, de Gregory Nava

The Counterfeiters, de Stefan Ruzowitzky

El otro (The Other), de Ariel Rotter

Goodbye Bafana, de Bille August

Hallam Foe, de David Mackenzie

Hyazgar (Desert Dream), de Zhang Lu

In memoria di me (In Memory Of Myself), de Saverio Costanzo

Irina Palm, de Sam Garbarski

La Môme – La Vie en Rose, de Olivier Dahan

Les Témoins (The Witnesses), de André Téchiné

Letters From Iwo Jima, de Clint Eastwood (Fora de Competição)

Ne touchez pas la hache (Don’t Touch The Axe), de Jacques Rivette

Notes On A Scandal
, de Richard Eyre (Fora de Competição)

O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger Obsluhoval jsem anglickeho kralé (I Served The King Of England), de Jirí Menzel

Ping guo (Lost In Beijing), de Li Yu

Sai bo gu ji man gwen chan a (I’m a cyborg, but that’s OK), de Park Chan-wook

The Good German, de Stephen Soderbergh

The Good Shepherd, de Robert de Niro

The Walker
, de Paul Schrader (Fora de Competição)

Tu ya de hun shi (Tuya's Marriage), de Wang Quan'an, China

When A Man Falls In The Forest, de Ryan Eslinger

Yella, de Christian Petzold