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Expresso

Férias pagas

22 de Julho Albufeira-Faro-Almancil-Albufeira

Olá Cândida O Índice Toldo (IT) revela-nos que o custo de vida no Algarve é cinco vezes superior ao da Costa del Sol.  Em Torremolinos, basta pagar quatro euros para termos, por um dia inteiro, um toldo por nossa conta. Ora do lado de cá do Guadiana, na praia de Santa Eulália, cobram 20 euros pelo aluguer diário de um toldo rigorosamente igual - penso mesmo que aqueles chapéus de sol tipo palhotas (que emprestam às praias um «look» globalizado) foram importados de Espanha.

Claro que devemos olhar com muita reserva para números e estatísticas. O custo de vida em Espanha ser cinco vezes inferior ao nosso é uma coisa tão improvável como as nossas exportações estarem a aumentar e o desemprego a diminuir. Se fosse verdade já não havia cá ninguém, já tínhamos emigrado todos para Espanha.

Os números mentem, e o meu IT não foge a esta regra. Se, por exemplo, incluirmos o preço do toldo na praia Grande (12 euros/dia), em Pêra, na amostra do nosso índice, o custo de vida no Algarve passaria a ser apenas quatro vezes superior ao da Costa del Sol (20+12=32/2=16). QED!

O Índice Toldo pode ser um índice tolo, mas a verdade é quem, mesmo sem extrapolações, o toldo custa quatro euros em Torremolinos e 20 euros em Santa Eulália. Essa é que é essa. E com os 20 euros que custa um dia de sombra nesta praia, quase que se pode alugar um quarto no Hotel Flamingo, em Torremolinos. A vista pode ser pior que a do toldo, mas a verdade é que o quarto também protege do sol e ainda disponibiliza casa de banho privativa e águas correntes, quentes e frias.

Como se depreende das linhas acima, hoje estivemos na praia de Santa Eulália, que está um ou dois furos abaixo da da Oura. Eu e o Nuno concordamos, que é uma praia de 13 valores, de  Suf. +, quase b (bom, pequeno).

Ficamos impressionados, quando estávamos na tosta, com a violência do trabalho de dois brasileiros que passam o dia a correr a praia de um lado ao outro, a apregoar «olha a bolinha a passar». Vendem bolas de Berlim. Eu não compraria. Pelo menos ao fim da tarde. Bolas de Berlim, cheias de creme, não me parecem ser o alimento mais adequado para vender na praia. A «língua da sogra» da minha infância e adolescência era muito mais compatível com o sol e o calor.

Voltamos a Faro, onde tivemos três desilusões e um encantamento, que passamos a listar.

Três desilusões:
1. O Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão faz semana inglesa. Está fechado aos sábados e domingos. O responsável por este horário deveria ser condenado a subir e descer o parque de estacionamento do El Corte Ingles de Lisboa duas vezes ao dia, durante um mês de 31 dias. Pena efectiva e não remível;

2. O Café Aliança (rua dr. Francisco Gomes 6-11), que o «The Rough Guide» garante ser o mais antigo de Portugal, está a anos luz do Majestic e nem sequer chega aos calcanhares do Nicola e da Brasileira. Tem 98 anos, mas infelizmente não aparenta a idade que tem;

3. Como o museu marítimo estava fechado resolvemos ir até Almancil inspeccionar o supermercado Apolónia, fartamente elogiado pelo Guia American Express. Verificou-se a clássica situação do excesso de expectativas. Estávamos à espera de uma coisa que pedisse meças ao Dean & Deluca, da esquina da Broadway com a Prince (NY), e encontramos um supermercado moderno, arejado, bem servido, mas ligeiramente inferior ao Supercor – e sem o complemento da Loja Gourmet.

Um encantamento:
1. A cidade velha de Faro. Nunca lá tinha entrado. Foi, por isso, uma estreia absoluta no belo conjunto arquitectónico que está dentro das muralhas, com particular destaque para o deslumbrante Largo da Sé. Hei-de voltar para saborear este largo, enquanto almoço ou janto na Mesa dos Mouros. Está prometido.

O jantar foi em Pêra, no Carlos Beach, um restaurante descoberto pelo Juca Magalhães, que chegou hoje ao Algarve e tem uma casa aqui por perto.

Um dos primeiros temas do jantar foi precisamente a vastidão do património imobiliário do Juca. Que nós saibamos, é um apartamento em Rio Tinto (o nome engana, pois é o sítio do Mundo com mais portistas por metro quadrado), uma fazenda no Nordeste brasileiro, uma casa de férias no Algarve - e ainda está a construir uma vivenda em Miramar, mesmo ao lado da que Jorge Nuno Pinto da Costa está a fazer. Muito provavelmente, ele deveria pedir autorização para criar uma SGII (Sociedade Gestora de Investimentos Imobiliário) e vender a investidores unidades de participação do fundo imobiliário constituído pelo seu património.

O prato, previamente encomendado, era cabidela de frango, declinada nas suas versões clássica (arroz) e algarvia (batatas). Como consumir cabidela de frango contraria os meus princípios religiosos, eu e o Nuno partilhamos um robalo que foi muito provavelmente o melhor que comi em todo o meio século de vida que já acumulei. Estava seis estrelas (a propósito, falarei amanhã sobre o hotel, o Grande Real Santa Eulália).

Eu sei perfeitamente que não gostar de cabidela de frango é total e completamente irracional, porque aprecio muito sarrabulho e quando se trata de rojões à moda do Minho não me faço esquisito com o sangue. Mas o que e que tu queres? Sou mesmo assim, cheio de contradições.

Um grande beijo para ti e um abraço forte para o Garcia - ontem lembramo-nos dele quando vimos um Fiat 600 (o dele era o 600 ou o 500?). Até amanhã.

P.S. 1 - Tens ido à praia?
P.S. 2 - O jantar no Carlos acabou com karaoke. Em sinal de respeito pela freguesia do restaurante, abstive-me de cantar.