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Expresso

Férias pagas

21 de Julho Albufeira-Faro-Albufeira-Vilamoura-Albufeira

Olá Cândida Não tenho dúvidas. Viver em Portugal e ir fazer praia para Espanha é uma decisão tão estúpida como trocar a Scarlett Johanson por uma cinquentona um pouco estragada e já com um bocado de buço. No que toca à qualidade das praias, o Algarve derrota a Costa del Sol por «knock out», logo ao primeiro assalto.

A prova do que acabo de dizer é o escaldão que apanhei hoje, no primeiro dia de praia no Algarve. Durante os quatro dias que passei em Espanha estive menos tempo na praia do que num só dia no nosso país.

Começamos pela praia dos Aveiros. É uma praia pequena, acessível a pé a partir do nosso hotel (Topázio, três estrelas, nas Areias de S. João), de que nunca tínhamos ouvido falar. Travamos ontem conhecimento com ela e ficamos encantados. É maneirinha. A areia é fina e limpa. A água, transparente e esverdeada, estava na temperatura exacta – boa para refrescar mas suficientemente quente para dissuadir um banhista mais friorento.

Acresce que o bar de apoio da praia era elegante e tinha uma ou duas mesas vagas. As motos de água estão proibidas de entrar na zona marítima exclusiva da praia dos Aveiros, que é frequentada por gente com bom aspecto e em quantidade q.b., ou seja à volta do sítio onde estendemos as toalhas tínhamos um espaço vital deserto de uns bons cinco metros - o que deixa qualquer israelita a morder-se de inveja.

Como deves estar a perceber, o Nuno e eu apaixonamo-nos à primeira vista pela praia dos Aveiros. Mas como «cognac» é «cognac» e serviço é serviço, só lá ficamos o tempo necessário para podermos reportar sobre ela. Uma hora depois fomos testar a praia ao lado – a da Oura.
Fomos de carro, porque a praia da Oura fica a mais de um quilómetro do hotel. E o que se desce na ida, paga-se na volta. Num mundo perfeito não seria assim, haveria apenas descidas, mas não vale a pena ser utópico. Temos de aceitar a vida tal como ela é. O que se desce agora, sobe-se depois. E vice versa.

A Oura está uns furos abaixo da praia dos Aveiros, mas mesmo assim apresenta «standards» de qualidade altíssimos quando comparados com as suas homólogas da Costa del Sol. Numa escala de zero a 20, damos-lhe um 14 ou 15. Demoramo-nos por lá duas horas, o que se veria a revelar fatal – estamos a falar do escaldão. Mas estava-se bem, o Nuno descobriu muitos ângulos engraçados para fotografias, em especial aquele em que duas jovens inglesas, com um aspecto bastante saudável, aparecem em primeiro plano empoleiradas num colchão de água amarelo, com motos de água de aluguer ao fundo, na linha de horizonte.

A meio da tarde fomos a Faro, animados por cinco objectivos:
1) Comprar protector solar e loção «after sun»;
2) Comprar um guia do Algarve e policiais do Harlan Coben. Estou a acabar de ler o «Apenas um olhar» e já tenho idade e experiência suficientes para reconhecer os sintomas. Estou apanhado, completamente dependente, pelo que, para evitar a ressaca, adquiri na Bertrand do Fórum Algarve duas novas doses de Coben - «Não Contes a Ninguém» e «Desaparecido para Sempre»;
3) Almoçar;
4) Dar uma volta pela cidade;
5) Visitar o Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão.

Os primeiros três objectivos foram superados. Os outros dois ficaram no tinteiro, porque demoramos tempo demais no almoço tardio no Joshua Shoarma. Comemos Tahina, Labanne, Falaffel, Beringelas Assadas e Peito de Frango Marinado, tudo acompanhado com molho de alho e servido com um belo sorriso pela louríssima Ema, que apesar de ter nascido no outro lado da Europa usa um português rico e absolutamente desprovido de sotaque. Ainda estão para perceber como é que o Nuno resistiu e não a fotografou.

Faro está infestada de motociclistas. Em frente ao Fórum, o Nuno rapou da máquina mal viu uma «motard» com bom aspecto. Ela reparou que estava a ser alvo de atenção e fez pose. Tal como as inglesas do colchão de praia amarelo da praia da Oura.

Dizem que o museu marítimo tem uma maravilhosa colecção de modelos em escala de caravelas, galeões e bascos a vapor. Provavelmente voltamos amanhã a Faro para o visitar.

À noite fomos a Vilamoura, ao Zagalo, jantar plumas de porco preto, regadas com o magnífico rose do Monte da Peceguina, acompanhados pelo Manuel Queiroz (nosso colega do Correio da Manhã, que chegou hoje ao Algarve de férias), Guida, João (promitente futuro director do «Jogo») e Vasco (promitente futuro ponta de lança do FC Porto).

Quando regressamos já havia movimento à porta do Kiss. O «look» Dita von Teese (a mulher de Marilyn Mason que acaba de ser contratada como cara da Louis Vuitton) começa a fazer escola.

Um beijo e dá, por favor, saudades minhas ao dr Nicolau. Da última vez que o vi fiquei com a impressão que ele deveria abrandar um pouco o ritmo de trabalho.

P.S. - Amanhã mudamos para o Grande Eulália Resort e Hotel Spa. Um pequeno trajecto para nós (acho que fica a pouco mais de um quilómetro do Topázio) mas um grande salto nas despesas do jornal.