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Expresso

Férias pagas

20 de Julho Torremolinos-Marbella-Albufeira

Olá Cândida A escala em Marbella já estava programada antes de lermos nas primeiras páginas dos diários de hoje a notícia da detenção de Julian Muñoz, ex-alcalde do mais caro e famoso «resort» espanhol. Companheiro de Isabel Pantoja, estrela de primeira grandeza no Gotha do «jet set» espanhol (tomara a nossa Lili Caneças que a «Caras» lhe dispensasse metade da atenção que a «Hola» presta à Pantoja), Muñoz é acusado de corrupção. Aparentemente recebeu dinheiro de empreiteiros em troca de favores, como licenças de construção, aumentos de volumetria, enfim, o costume. No nosso país, também ouvimos falar muito nas ligações perigosas e interesseiras entre autarcas e empreiteiros mas no final nunca se consegue provar nada.

Em Portugal, Isaltino Morais e Fátima Felgueiras foram reeleitos.

Em Espanha, os três últimos presidentes do Ayuntamiento de Marbella (Tomás Reñones, Julian Muñoz e Marisol Yague) estão presos e o anterior (Jesus Gil e Gil) está morto, senão muito provavelmente também estava a ver o sol aos quadradinhos…

Com as coisas postas desta maneira, percebe-se a diferença fundamental que nos separa dos espanhóis. Eles matam o touro. Nós não. Preferimos isaltinar.

O facto de estar a ficar um bocado azedo, como o prova este desabafo, não me impediu de apreciar devidamente a preciosa Plaza de los Naranjos, a praça seiscentista que é o coração do «casco antiguo» de Marbella e que é dominada pelo Ayuntamiento, um belo edifício de 1568, com uma varanda de ferro forjado a dominar a fachada.

Desta varanda, num passado recente, Jesus, Tomás, Julian e Marisol descansaram os olhos nas laranjas amargas das clementes árvores de fruto que dão sombra a quem pára para descansar nos bancos de pedra da Plaza de los Naranjos. Acho que o Sol (tenho apanhado muito na cabeça) é o principal responsável pela redacção deste parágrafo.

No regresso, à medida que nos aproximávamos da fronteira, aumentava a quantidade de «motards». Iam para Faro. Já na Via do Infante, perto da área de serviço de Olhão, encontramos o contingente mais curioso. Eram para aí uns 80 motociclistas. Seguiam ordeiramente, numa velocidade moderada (cerca de 100 quilómetros/hora). O grupo era liderado por uma mulher, com uma trança do comprimento das costas. Logo a seguir, vinha o porta-estandarte, um «motard» que levava desfraldada uma enorme bandeira dos Açores. Olhando com mais atenção para o grupo, reparamos num outro denominador comum. Nas costas de todos os blusões estava bordado, em letras cor-de-laranja, o nome da principal ilha do arquipélago: São Miguel. Eu e o Rui puxamos pela cabeça mas ainda temos certezas sobre o contorno da operação que trouxe esta trupe do meio do Atlântico para o Algarve, com as suas motas, capacetes e mochilas. Provavelmente vieram de barco. Mas onde terão desembarcado? Nalgum porto espanhol? A viagem de barco quanto tempo terá durado? E o barco em que vieram seria uma carreira regular (hmmm, não me parece)? Um cargueiro? E como será a operação de regresso. Se arranjar tempo ainda vou a Faro tentar obter as respostas a estas perguntas. Achas que vale a pena?

Chegamos ao fim da tarde a Albufeira, mais precisamente a Areias de S. João, a penúltima etapa do nosso périplo pelo litoral Sul da Península Ibérica.

Instalamo-nos no Hotel Topázio, um três estrelas que fica a um bom quilómetro da praia, mesmo em frente à discoteca Kiss (temi o pior, mas sem razão, pois dormi a noite toda de um sono só).

O Topázio revelou-se logo à primeira vista mais asseado que o Flamingo, de Torremolinos. Para começar é inodoro, ou seja, não há no ar vestígios acumulados dos milhares de hóspedes que nos antecederam no quarto.

Depois, a piscina tem menos cloro e não está rodeada de prédios por todos os lados. No quarto, a televisão não funciona (será que o hóspede anterior levou o comando com ele?) mas a varanda tem lugar para duas cadeiras de plástico branco e uma mesa pequenina, ou seja, tem o triplo do espaço da do Flamingo.

E a vista é mais repousante. Depois do mar (Estepona) e da cidade (Torremolinos), chegou a vez do campo, rodeado de aldeamentos com um perfil baixo e branco, não muito agressivo, pressentindo-se o mar ao fundo. A coisa está a melhorar.

Entretanto, ao fim do dia de hoje, o Nuno Botelho substituiu o Rui Duarte Silva, que inicia depois de amanhã um curso de repórter de guerra. Enquanto eu e o Nuno comíamos «prawn curry» e «chicken madras», acompanhados com arroz branco e «garlic nan», planeando o trabalho para os próximos dias, o Rui voava em direcção ao Norte. Não digas a ninguém da Brigada de Trânsito, mas ele demorou menos de quatro hora a chegar ao Porto!

Um beijo

P.S. - O Miguel Martins mandou-me um fotografia tua e do Henrique que é mesmo muito esquisita. Vocês estão com um ar tão alucinado que parecem extra-terrestres e com uns capacetes esquisitos na cabeça. O que é que se passa?