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O olhar do Expresso em Pequim

O mistério da seda

A fabricação manual da seda continua a ser uma prática comum na China. Esse tecido tão apreciado em todo o mundo é uma das preciosidades que o país quer manter, sendo ao mesmo tempo uma imagem de marca positiva num país hiper industrializado. Com 2500 anos de história, o método tradicional de transformar os casulos em seda natural ainda é o mesmo inventado durante a dinastia Han.

O processo de fabricação manual da seda inicia-se com a junção de dois bichos-da-seda, um macho e uma fêmea. Ao acasalarem, produzem mais de 400 ovos de uma só vez. Esses ovos são mantidos a uma temperatura de 28º durante sete dias, dentro de água com folhas de acácia para os alimentar. Os ovos transformam-se em novos bichos-da-seda e crescem. Vinte e cinco dias depois param de comer e fazem um casulo para proteger o corpo, quando o casulo se abre, eles nascem outra vez e o processo repete-se, ou seja, novo acasalamento.

Todo este processo é relativamente rápido e permite a obtenção de muita matéria-prima, uma vez que o tempo de vida de um bicho-da-seda não ultrapassa os dois meses de vida.

A seda começa a ser tratada quando o casulo está formado. Há casulos com um só bicho-da-seda e casulos com dois. Os casulos com um só bicho-da-seda servem para fazer roupa de todo o tipo, permite extrair duas mil teias e produzir 300 metros de tecido. Essas bolinhas brancas, semelhantes a um pedaço de algodão, são fervidas em água para que se tornem mais suaves e se possa começar a desfiá-las. De dentro do casulo retira-se o bicho da seda e estica-se a teia ainda compacta à mão até ficar completamente lisa e transparente, ao mesmo tempo que a sua pureza é apurada para evitar qualquer tipo de alergia que possa ser provocada na pele de quem vier a usar a roupa feita com ela.

São necessárias 260 teias para fazer a maior peça de tecido possível (lençóis, toalhas, rolos de tecido a metro), e 80 teias para um tamanho normal (confecção de roupa). Depois de esticada, a teia branca pode ser colorida e juntar-se-lhe desenhos e padrões variados.

O passo seguinte é a secagem da seda. Ao ar livre e ao sol, a teia leva entre 30 minutos a uma hora a ficar seca. Lava-se outra vez, e outra ainda se for uma teia colorida, para que a tinta nunca desbote nem perca a cor.

A partir daí a confecção da roupa toma conta da seda, que se pode usar durante as quatro estações do ano, tal a sua capacidade de ventilação. E apesar de ser um material leve que à partida parece extremamente delicado e frágil, a seda é dos tecidos mais resistentes e duráveis do mundo. Com ela podem até fazer-se guarda-chuvas, e ela nunca se rompe mesmo quando é bordada à mão para se lhe ajustar mais desenhos coloridos.

Para a lavar não é preciso levá-la a uma lavandaria com limpeza a seco. Existe um segredo chinês que o ocidente desconhece, mas que é o melhor método de limpar o tecido. Coloca-se a seda em água fria e junta-se-lhe champô ou até mesmo detergente e lava-se à-vontade. Deixa-se secar ao ar livre e está pronta a vestir, novamente.