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O olhar do Expresso em Pequim

O luxo asiático

Pequim não é só uma cidade ancestral, adornada por grandes monumentos e templos que marcam a grandiosidade de uma civilização milenar. Ao lado da espetacularidade da Cidade Proibida ou do Templo de Confúcio, nasceu o culto pelo ocidente espelhado no luxo dos maiores ícones do consumo.

A Goldfish Lane, na zona de Wanfujing, em pleno centro de Pequim, e a dez minutos da praça Tian'anmen, um só centro comercial, chamemos-lhe assim, diz tudo sobre os novos modelos de vida da classe alta chinesa. Mais de 50 lojas, oferecem os produtos mais luxuosos que a Europa e os Estados Unidos têm vindo a desenvolver há décadas. Três pisos marcam a diferença e é difícil imaginar a que nível.

A loja menos atraente talvez seja a da Bulgary. De resto, podemos encontrar todo o charme da Chanel, da Hermès, da Gucci, da Louis Vuitton, da Dolce Gabbana, Escada, Givenchy, Versace, Lavin, Kenzo, Giorgio Armani, além da audácia de Jean Paul Gaultier ou das mais belas jóias da Cartier.

Executivos, quadros superiores, empresários, advogadas, administradoras, directoras de arte e afins são os grandes clientes chineses das Galerias Península, que em breve abrirão mais cinco ou seis lojas, uma delas chamada Yves Saint Laurent.

Os preços são incalculáveis e podem mesmo chocar o resto do povo chinês com um ordenado médio à volta dos 200 euros, isto para professores e médicos por exemplo, porque se falarmos em classe baixa não existe sequer um ordenado fixo. Os mais pobres têm empregos precários, ou sobrevivem daquilo que conseguem vender na rua.

Passar algum tempo a olhar o movimento das galerias é um exercício sócio-cultural de elevado interesse. Carros topo de gama, conduzidos invariavelmente por motoristas particulares, páram à porta da Península, e deixam sair damas e cavalheiros, cada um com um estilo diferente, mas todos altamente sofisticados, que não se deixam fotografar nem à lei da bala. Entram, compram e esperam que o motorista de fato e gravata e luvas brancas recolha os sacos das compras e os leve até ao porta-bagagens das viaturas. Luxuosas, também elas, quase todas com estofos em pele e alcatifas vermelhas como decoração de eleição.

É sobretudo à tarde que este vaivém tem lugar. A noite serve para jantar fora. Cedo, porque os hábitos chineses assim o mandam. Às 20h já os restaurantes mais prestigiados da cidade estão cheios. Aí, uma refeição custa, no mínimo, 60 euros por cabeça. O vinho, importado, é a última moda gastronómica em Pequim. França, Itália, Nova Zelândia, Austrália e Chile são os grandes exportadores de Baco para Pequim. O vinho vende-se a copo, entre os 10 e os 70 euros, ou à garrafa, 200 ou 300 euros como preço médio.

O design é, mais do que nunca, uma prioridade na escolha do restaurante. Sofisticação e privacidade são as palavras de ordem.

À meia-noite, no máximo, é tempo de regressar a casa, já sem «chauffeur», mas em carros desportivos de gama alta, atravessam as ruas da capital chinesa já praticamente desertas. A manhã só começa às 9h, e o chá verde ou vermelho, os mais chiques do momento e a última bebida a ser tomada, permitem um sono descansado.